Rene Hass - LUGARES POR ONDE PASSEI

Neste "blog", reúno uma coletânea de fotos digitais que tirei dos lugares por onde passei. Em sua maioria, são fotos de Porto Alegre (cidade onde moro) e de outras cidades no Rio Grande do Sul, Brasil. Eventualmente, poderá conter fotos de lugares fora do RS. Todas as fotos são de minha autoria. Você pode clicar em cada foto para ver a sua versão ampliada. RENE HASS (renehass@yahoo.com)

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Porto-alegrenses Dizem "não" ao Progresso (Pontal do Estaleiro)

Eu participo do SkyScraperCity, que é um fórum na Internet que discute arquitetura e urbanismo nas cidades do mundo inteiro. Certa vez, um forista, ao mencionar o conjunto de prédios feios de Porto Alegre, criticou minha cidade afirmando que aqui as pessoas são contra o desenvolvimento. De imediato, eu discordei dele.

Entretanto, depois do que aconteceu no dia 23/08/2009, eu preciso rever meu ponto de vista. Passei a dar crédito àqueles que alegam que a população de Porto Alegre é avessa ao progresso e desenvolvimento urbano da cidade. Pelo menos, por ora.

No dia 23/08 houve a consulta popular para decidir sobre a construção ou não de edifícios residenciais numa região da orla do Guaíba chamada de Pontal do Estaleiro.

Do que se trata o Pontal do Estaleiro?

Pontal do Estaleiro é como ficou conhecido um projeto de revitalização de uma área na Zona Sul de Porto Alegre, na orla do Guaíba em um acidente geográfico chamado Ponta do Melo. (foto 1) A região se localiza entre o Museu da Fundação Iberê Camargo e o Barra Shopping Sul, no bairro Cristal. Por extensão, Pontal de Estaleiro também passou a ser o topônimo que se refere àquela área. Poucas pessoas devem saber que o nome verdadeiro do local é Ponta do Melo.



Foto 1 – Ponta do Melo e Pontal do Estaleiro

Durante anos, funcionou na Ponta do Melo uma “montadora de navios”, ou seja, um estaleiro, chamada de Estaleiro Só. Daí a palavra “estaleiro” no nome do projeto.

Nos anos 80 do século passado, o Estaleiro Só começou a enfrentar dificuldades financeiras insanáveis que culminaram com a sua falência na primeira metade dos anos 90. Em função de uma dívida trabalhista astronômica e impagável, não restou outra saída senão leiloar todo terreno a fim de cobrir as dívidas da massa falida. Mas ocorreu que em várias tentativas de leilão, a área nunca conseguia ser arrematada em função do preço demasiado alto.

Um dia, finalmente, uma empresa construtora comprou a área e desenvolveu um projeto, o tal Projeto Pontal do Estaleiro, prevendo a construção de três edifícios residenciais e alguns outros comerciais. Além dos edifícios, uma área de lazer para o desfrute da população.

Mas como há uma lei municipal que veda a construção de edifícios residenciais no espaço entre as avenidas que margeiam a orla e a orla, o projeto passou a ser criticado por diversos setores da sociedade civil. Uma alteração na lei foi sugerida, o que causou histeria em muitos e protestos. A solução encontrada pelo prefeito de Porto Alegre foi levar a decisão sobre também construir ou não edifícios residenciais na Ponta do Melo à consulta popular, o que aconteceu no dia 23/08/2009. A participação da população na consulta foi facultativa. Quem participou teve que optar entre o SIM e o NÃO. “Sim” para a construção de edifícios residenciais, também. Ou “não”.

Infelizmente, ganhou o “não”.

Dentre os vários argumentos que eu li e ouvi daqueles que fizeram campanha em favor do NÃO à construção de edifícios residenciais na Ponta do Melo, dois foram os que mais me chamaram a atenção:

1 - A área da orla deve ser para usufruto da população, e não para a construção de residências particulares, favorecendo poucos afortunados.

2 - Edifícios residenciais tapariam a visão do pôr-do-sol no Guaíba e impediriam a pessoas de admirar o espetáculo da natureza tomando o seu costumeiro chimarrão.

Houve também um catatau de argumentos de caráter ambiental, mas que eu não vou citar nem entrar no mérito por eu ser leigo na área de ambientalismo.

Quero comentar os dois argumentos que mais me chamaram a atenção.

Começo com o primeiro argumento:

A área da orla deve ser para usufruto da população, e não para a construção de residências particulares, favorecendo poucos afortunados.

Eu também concordo com o argumento de que a orla do Guaíba deva ser voltada para o lazer da população de Porto Alegre. Mas será que isso vem acontecendo em outras áreas de nossa orla?

Interessantemente, com o suporte do Google Earth, eu fiz um levantamento sobre o tema e descobri que a partir da Ponta do Melo em direção sul, há quatro trechos da nossa orla em que usufruir do Guaíba é impossível para a população em geral. E há um quinto trecho, ao norte da Ponta do Melo, ocupado por um clube de futebol.

Vou discorrer um pouco sobre cada trecho.

Trecho 1 – Ponta do Melo até Prainha da Assunção (4 km) - Foto 2

No trecho contínuo de aproximadamente 4 km a partir da final da Ponta do Melo (próximo ao Barra Shopping Sul) até a prainha da Assunção (onde uma vez houve o bar Timbuka), toda a área é tomada por particulares. Ou seja, conforme os proponentes do NÃO, 4 km daquilo que deveria ser para o lazer dos porto-alegrenses entregues totalmente aos particulares. Logo no seu início, em frente ao Barra Shopping Sul, encontra-se um campo de treinamento e escolinha de futebol do Grêmio Foot-Ball Club Porto-Alegrense. Depois, aparecem as marinas do clube Ventos do Sul. Vizinho ao clube Ventos do Sul, temos o clube Veleiros do Sul. E depois do Veleiros do Sul, tem-se a Vila de Pescadores da Assunção que se estende até o Corpo de Bombeiros. Ao lado do Corpo de Bombeiros, a sede do SAVA Clube (Sociedade Amigos do Bairro Assunção). Ao lado do SAVA Clube, há uma sede campestre de uma associação cujo nome eu não me lembro agora. Só então chegamos a um trecho pequeno onde a população pode usufruir da orla: a prainha da Assunção. Nela, antigamente havia um barzinho bem na orla chamado Timbuka. A prainha da Assunção continua sendo até hoje um dos raros lugares onde as pessoas se reúnem para tomar chimarrão de dia e apreciar o pôr-do-sol no final da tarde. À época do Timbuka, à noite, o local virava fumódromo. Estranhamente, a prefeitura de Porto Alegre cassou a licença do Timbuka e trouxe o bar ao chão. Contudo, todos os clubes e sedes campestres nas cercanias continuam existindo.

E aí, pessoal do NÃO, o que fazer no trecho de cerca de 4 km entre a Ponta do Melo e a Prainha da Assunção, tomado de clubes e residências particulares e vedado completamente para o uso da população em geral? O que vocês dizem?

Foto 2
Trecho 2 – Prainha da Assunção até começo da Praia de Ipanema, após o Morro do Sabiá (4,5 km) - Foto 3
Logo depois da prainha da Assunção, começa mais um trecho que, pelos meus cálculos, estende-se por cerca 4,5 km de orla dedicada a particulares, sem que a população dela possa desfrutar um naco. Esse trecho contínuo vai da Prainha da Assunção até o início da Praia de Ipanema. É repleto de residências particulares cujos fundos dos terrenos terminam na orla nos bairros Tristeza, Vila Conceição e Pedra Redonda, sendo que muitas contam até com trapiches particulares. Há, ainda, no bairro Tristeza, a sede do Clube Jangadeiros, um dos mais elitizados de Porto Alegre, que além de ocupar um terreno na orla, ocupa uma ilha inteira. No trecho do bairro Ipanema estão as sedes campestres de diversos clubes e associações cujos fundos terminam diretamente no Guaíba. Dentro deste contínuo, há apenas dois minúsculos trechos onde a população pode usufruir da orla. Um é na Vila Conceição, na Ponta do Cachimbo, onde alguns vão curtir o pôr-do-sol tomando chimarrão. À noite, vira fumódromo e trepódromo para aqueles que não querem gastar com motel. E o segundo trecho fica na Pedra Redonda, tomado de despachos de religiões afro-brasileiras.
E aí, pessoal do NÃO, o que fazer nesse trecho de cerca de 4,5 km de orla completamente interditada para o uso e lazer de vocês? O que vocês dizem?

Foto 3

Trecho 3 – Espírito Santo até Vila dos Sargentos (2 km) - Foto 4

O outro trecho, desta vez mais curto, estende-se por cerca de 2km e vai do bairro Espírito Santo até a Vila dos Sargentos. Nesse trecho, há um camping municipal, seguido de residências particulares, um condomínio de casas de luxo e finalmente a Vila dos Sargentos, que é um bairro popular que os não gaúchos chamariam de favela. É na Vila dos Sargentos que termina o contínuo urbano de Porto Alegre na orla do Guaíba.

E aí, pessoal do NÃO, o que fazer nesse trecho de cerca de 2 km de orla completamente vetada ao uso e lazer de vocês? O que vocês dizem?


Foto 4

Trecho 4 – Vila dos Sargentos até Praia do Veludo em Belém Novo (10 km)

Trata-se do mais longo trecho num contínuo de cerca de 10km que vai da Vila dos Sargentos até a praia de Belém Novo. Esse trecho é à parte uma vez que a partir da Vila dos Sargentos, o contínuo urbano deixa de existir e é substituído por regiões alagadiças de difícil acesso, intercaladas por pequenos trechos urbanizados. Há, na face sul do Morro da Ponta Grossa, algumas residências, sendo algumas de luxo, cujos terrenos terminam na beira do Guaíba (foto 5) . E o absurdo de orla ocupada por particulares continua depois de Belém Novo, com sedes campestres, inclusive a da AJURIS, cujos terrenos se estendem até o Guaíba, sendo de lazer exclusivo de alguns poucos privilegiados.

E aí, pessoal do NÃO, o que fazer no trecho da face sul do Morro da Ponta Grossa tomado de residências particulares e vedado para o uso da população em geral? O que vocês dizem?


Foto 5

Trecho 5 – Parque Gigante do Sport Club Internacional (1,2 km)

Esse último trecho é o único ao norte da Ponta do Melo. Nele, depois da conclusão do aterro do Guaíba nos anos 70, o Sport Club Internacional ocupou uma vasta área entre a avenida Beira-Rio e o Guaíba para construir o seu Parque Gigante, com piscinas, churrasqueiras e restaurantes. O primeiro prefeito petista, Olívio Dutra, tentou, sem sucesso, recuperar a área para o município. São cerca de 1,2 km de orla para usufruto único de poucos privilegiados.

E aí, pessoal do NÃO, o que fazer no trecho do Parque Gigante, inconcesso para o uso da população em geral? O que vocês dizem?

Será que eu fui a única pessoa a se dar conta que maior parte da orla do Guaíba, nos trechos entre as vias públicas e as margens do lago já estão tomadas pelos particulares?Foto 6

O que mais me entristeceu foi saber que na consulta popular muitas pessoas disseram NÃO à construção de edifícios residenciais na Ponta do Melo sem sequer conhecer o projeto direito. Uma conhecida minha, jovem e não moradora da Zona Sul de Porto Alegre, acreditou que o projeto era apenas para a construção de edifícios residenciais. Desconhecia ela que a maior parte do projeto era de áreas comerciais e de lazer. E tal detalhe foi ocultado pelo pessoal que fez campanha ferrenha a favor do NÃO. A minha conhecida ainda opinou que em toda área da Ponta do Melo deveria ser construída uma praça. Ela não está de todo errada. Eu também acho que esse destino seria o melhor de todos para aquela área. Contudo, ignorou ela que a construção de uma praça ali é inviável por se tratar de um terreno particular. Quem o comprou, pagou milhões por ele. E ninguém que paga milhões por um terreno vai querer transformá-lo totalmente em praça pública. Se isso acontecesse, seria o supra sumo da filantropia. Assim como essa minha conhecida, que não tem culpa por sua ignorância, mas que também não procurou se informar, muitos, sem conhecer o projeto na íntegra, deixaram-se levar por um campanha a favor do NÃO que omitiu detalhes importantes do projeto.

Passo agora ao segundo argumento:

Edifícios residenciais tapariam a visão do pôr-do-sol no Guaíba e impediriam a pessoas de admirar o espetáculo da natureza tomando o seu costumeiro chimarrão.

Bobagem pura!

Eu moro no bairro Cristal e passo com freqüência pela Ponta do Melo. O trecho da avenida Padre Cacique na região é de alta velocidade e de tráfego sempre intenso. Entre o Museu da Fundação Iberê Camargo e Shopping Barra Sul há uma curva, sendo trecho obrigatório para todos que se dirigem para a Zona Sul de Porto Alegre via orla. Os carros passam sempre em alta velocidade e ninguém para ali para apreciar o pôr-do-sol ou tomar chimarrão. Não há onde estacionar e se diminuírem a velocidade do carro, correm o risco de causar um acidente.

Nenhuma construção ali taparia o pôr-do-sol, caso fosse erguida.

Um dos lugares consagrados onde os porto-alegrenses vão tomar chimarrão apreciando o pôr-do-sol são a Usina do Gasômetro e a orla entre a Usina do Gasômetro e o Parque Marinha do Brasil.

A propósito, o prédio da Usina do Gasômetro tapa o pôr-so-sol, impedindo que a população o admire?

Outros pontos de admiração do pôr-do-sol ao sabor de um bom chimarrão são a prainha da Assunção, a Ponta do Cachimbo e a praia de Ipanema.

Pelo cálculo que eu fiz com a ajuda do Google Earth, a população geral de Porto Alegre pode atualmente usufruir de apenas 7 km da orla do Guaíba para apreciar sua beleza, praticar algum esporte, admirar o pôr-do-sol e tomar chimarrão em contemplação ao lago.

Por outro lado, são cerca de 28,7 km de orla completamente interdita aos porto-alegrenses em geral para as atividades que eu citei no parágrafo anterior. São cerca de 7 km de Cais do Porto e 21,7 km que ou foram entregues aos particulares (residências, clubes esportivos, sedes campestres) ou são de difícil acesso por serem zonas alagadiças.

Repetindo, dos cerca dos 35,7 km de orla do Guaíba em Porto Alegre, da foz do rio Gravataí até a praia do Veludo em Belém Novo, apenas 7 km podem ser desfrutados pela população geral da cidade para o seu lazer. A orla de Porto Alegre continua depois da Praia do Veludo e termina na Praia do Lami. Mas esse trecho não entrou no cálculo dos meus dados.

Concluindo:

É com muita tristeza que eu vejo a vitória do NÃO à construção de edifícios residenciais e modernos no Projeto do Pontal do Estaleiro com base em argumentos um tanto absurdos. Porto Alegre carece de revitalização de sua orla. Quando um projeto bom aparece, a população o recusa, dando razão àqueles que nos rotulam de sermos contra o progresso e desenvolvimento. E é mais triste ainda saber que muitos dos que optaram pelo NÃO, fizeram-no sem conhecer o projeto em sua totalidade, possivelmente embalados pelo modismo de se dizer não e influenciados por uma campanha que ocultou a totalidade do projeto, muito provavelmente impregnada de razões mais ideológicas do que sensatas.

Para o pessoal do NÃO, é muito melhor ver a área do Ponta do Melo atirada como está, ocupada por moradores de rua e sem absolutamente ninguém daqueles que votou no NÃO ali para tomar chimarrão e apreciar o pôr-do-sol.

Viva a continuidade do desprogresso!

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Tia Lídia

Na foto, eu e a Tia Lídia. Foto tirada no inverno há “alguns” anos atrás. Essa é a imagem da tia Lídia que eu quero guardar na memória.

Eu sempre gostaria de escrever coisas alegres aqui no blog, mas nem sempre isso é possível.

Hoje é um dia triste para mim!

Hoje à tarde, por volta das 15h, minha tia Lídia faleceu subitamente em casa, pegando todos nós de surpresa.

Por isso esse posting é dedicado a ela. Há pouco mais de duas semanas, no dia 03/07, ela me ligou, reclamando que fazia um tempão que eu não telefonava para ela nem a visitava. Prometi que iria ligar para ela na segunda-feira, 06/07, mas não liguei. A breve conversa que eu tive com a tia Lídia no dia 03/07 foi, na verdade, a despedida dela.

Choro ao escrever isso!

A tia Lídia foi uma das pessoas mais incríveis que eu conheci. Eu a adorava porque ela simplesmente me fazia rir. Ela tinha esse dom de fazer a gente rir mesmo com o mundo despencando em nossa volta. Não tinha uma vez em que eu chegasse na casa dela que ela não abrisse um sorriso de felicidade e saísse logo contando alguma coisa engraçada. Até as experiências mais tristes da vida dela ela nos contava com humor. Não tinha como não gostar dela.

E sempre quando uma pessoa tão querida se vai, aquele flashback dos momentos bons que passamos juntos é inevitável.

Obrigado, tia Lídia, por todos os momentos bons que a senhora me proporcionou ao seu lado. Obrigado pelas noites de carnaval na minha adolescência; obrigado pelas jantas maravilhosas; obrigado pelos agradáveis passeios a pé pelo bairro Floresta e Independência; obrigado por sempre me trazer uma lembrancinha de suas viagens; obrigado por ser uma das únicas pessoas a sempre me ligar no dia do meu aniversário, obrigado por sempre desejar o melhor para mim, obrigado por me fazer rir quando a minha vontade era chorar. Enfim, obrigado por tudo.

Um dia a gente se encontra novamente. Fica em paz!

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Cristal (Porto Alegre) - Outono de 2009


Puxa! Há dois meses que eu não atualizo o meu blog! Motivo: trocentas coisas a fazer. Para que esse hiato não estenda por mais dois meses, posto aqui algumas fotos do outono de 2009. Duas fotos mostram árvores cujas folhas mudam de cor e a foto do meio mostra um detalhe do bairro Cristal, zona sul de Porto Alegre, em uma manhã de neblina. As árvores também ficam no bairro Cristal.

Terça-feira, Abril 21, 2009

Remendão da Beira-Rio - 100 anos de glórias

Quando eu tirei essa foto, a intenção foi pegar o Lago Guaíba azulado lá embaixo. O estádio Beira-Rio apareceu por acidente. Como não dá para tirá-lo da foto, não tive outra opção. O homem contemplando o lago não sou eu. Eu tirei essa foto do topo do Morro Santa Tereza, em frente à TVE, no final de março de 2004.

Essa foto mostra um trecho do Parque Marinha do Brasil em novembro de 2003. O estádio Beira-Rio está escondido atrás das árvores bem à direita da foto. Aparece visivelmente apenas o mastro de sua bandeira, sem a bandeira. A propósito, o primeiro time em Porto Alegre a erguer um mastro gigantesco para a sua bandeira foi o Grêmio. O Internacional inicialmente refutou a idéia de erguer seu próprio mastro, mas não resistiu. Teve que copiar o seu arqui-rival. No fundo, o Morro Santa Tereza.

No último dia 04/04, o Sport Club Internacional, sediado em Porto Alegre, completou 100 anos de existência, sendo o segundo time mais antigo na capital gaúcha. Meus parabéns aos dirigentes do time, seu plantel e torcedores.
O Internacional, auto-intitulado “o campeão de tudo”, consegue como ninguém unir futebol a duas das preferências nacionais: o carnaval e a cerveja. Como? O clube não tem hino; tem uma marchinha de carnaval. E o logotipo atual rivaliza com rótulos de cerveja. Sem mais o que dizer.

Ao que tudo indica, a casa do “campeão de tudo”, o estádio José Pinheiro Borda – vulgo Beira-Rio – será escolhida pela FIFA como o palco dos jogos da Copa de 2014 em Porto Alegre. Mas isso depois de passar por uma senhora de uma reforma. Como gremista, torço para que o Beira-Rio seja realmente o escolhido para hospedar os jogos da Copa de 2014 em Porto Alegre. Falo sério!

O Grêmio – arqui-rival do Internacional – tem um projeto de construção de um estádio sob a forma de arena, a ser construído no extremo norte da capital gaúcha, próximo à confluência das BRs 116 e 290, com previsão de ficar pronto em 2013. É, também, intenção do Grêmio que as partidas da Copa em Porto Alegre aconteçam em sua casa. Não creio que isso será possível posto que os inspetores da FIFA já adiantaram que, se a Copa fosse hoje, o Beira-Rio seria o escolhido. Não tanto por sua infra-estrutura, que deixa a desejar tal qual a do Olímpico, mas mais por sua localização. Essa é vantagem do Beira-Rio.

Caso esse projeto da construção da arena gremista realmente se concretize, será ótimo. Imaginem só o constrangimento dos jogos da Copa em Porto Alegre acontecendo num estádio remendado ao passo que poderiam acontecer em um estádio novo, com infra-estrutura muito mais moderna.
Vou assistir a esse vexame de camarote. O estádio José Pinheiro Borda, que já tem as alcunhas de Beira-Rio e Gigante da Beira-Rio, deverá receber mais duas: Remendão e Remendão da Beira-Rio.

Terça-feira, Abril 07, 2009

Porto Alegre - 237 Anos

MONUMENTO AOS AÇORIANOS (1973) construído pelo escultor Carlos Gustavo Tenius para homenagear a leva dos primeiros 60 casais açorianos que vieram se estabelecer em Porto Alegre em 1752. O monumento representa uma caravela formada por corpos humanos entrelaçados. No topo, a figura mitológica de Ícaro, representando a vitória. Esse monumento fica no Largo dos Açorianos, entre a Ponte de Pedra e o Centro Administrativo do Estado.

Ìcaro, no topo do Monumento aos Açorianos.

A Ponte de Pedra, construída sobre um riacho (Arroio Dilúvio) que anos depois teve o seu curso mudado. O que restou do riacho virou um pequeno lago. Neste ponto, Jerônimo de Ornelas fundou o Porto do Dorneles em 1740.

Detalhe da Ponte de Pedra com o Centro Administrativo ao fundo.

Ponte de Pedra com o Monumento aos Açorianos e o Centro Administrativo ao fundo.

PORTO ALEGRE - 237 ANOS

Tendo sido colonizada por casais oriundos das ilhas portuguesas dos Açores a partir de 1752, Porto Alegre comemorou 237 anos no último dia 26 de março. Abaixo, uma breve cronologia sobre a fundação da minha cidade natal até chegar no seu nome atual, Porto Alegre.

1732 – O português Jerônimo de Ornelas, oriundo da Ilha da Madeira, estabelece-se na região.

1740Jerônimo de Ornelas recebeu a área como sesmaria e fundou um porto, chamado de Porto do Dorneles, na região onde hoje fica a histórica Ponte de Pedra. Na minha opinião, Jerônimo de Ornelas é o grande injustiçado pela história. Penso que é a ele que deveria ser creditada a fundação de Porto Alegre em 1740, o que tornaria a nossa cidade com 269 anos e não 237.

1763 – A cidade de Rio Grande, capital da Capitania de Rio Grande de São Pedro, foi invadida pelos espanhóis, obrigando a transferência da sede do governo para a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Viamão (hoje apenas Viamão), a cerca de 20 quilômetros em linha reta do Porto do Dorneles. Entendia-se que seria mais difícil para os espanhóis navegar pela Lagoa dos Partos e Guaíba até invadir Viamão. Nessa época, o Porto do Dorneles pertencia à Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Viamão.

1752 – Chegam os primeiros sessenta casais oriundos das Ilhas dos Açores. Em função disso, o Porto do Dorneles passa a se chamar Porto dos Casais. São esses casais que a história reconhece como os fundadores de Porto Alegre, injustiçando Jerônimo de Ornelas. Os casais vieram aqui se estabelecer para resolver dois problemas: a superpopulação das Ilhas dos Açores e a consolidação do poder português no sul do Brasil.

1772 – Em 26 de março, vinte anos após a chegada dos primeiros casais açorianos, um edital eclesiástico cria a Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais, separando-a da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Viamão. A data passa a ser reconhecida oficialmente como a data de fundação de Porto Alegre.

1773 – Em 18 de janeiro, o governador José Marcelino de Figueiredo transfere a capital de Viamão para o Porto dos Casais, mudando o seu nome para Freguesia de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre. É a primeira vez que as palavras Porto Alegre aparecem como o nome da cidade.

1809 – Em 7 de outubro – 37 anos após a sua criação oficial - a cidade muda de nome novamente. Por uma provisão assinada pelo Príncipe Dom João (mais tarde, Dom João VI), foi criado o município de Porto Alegre junto com outros três – Rio Grande, Rio Pardo e Santo Antônio da Patrulha – que constituem os primeiros quatro municípios do Rio Grande do Sul, de onde todos os demais derivam.

Nomes históricos de Porto Alegre:

1740 – Porto do Dorneles
1752 – Porto dos Casais
1772 – São Francisco do Porto dos Casais
1773 – Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre
1809 – Porto Alegre

Quinta-feira, Abril 02, 2009

Brasil X Peru em Porto Alegre

Na foto, a minha rua, a Avenida Dr. Campos Velho, com o meio-fio pintado de verde e amarelo em comemoração ao jogo da seleção brasileira em Porto Alegre em 01/04/09 que, por pura sorte, bateu o Peru por 3 a 0.

TRADIÇÃO:

Uma tradição se estabeleceu aqui em Porto Alegre toda vez que um dos dois times locais ganham algum título internacional: o meio-fio das calçadas são pintados com as cores oficiais do time. Não em todas as ruas da cidade, mas apenas naquelas vias em que o ônibus com os jogadores passa quando eles retornam para a cidade após a conquista.

Na segunda-feira (30/03) eu fiquei surpreso ao ver o meio-fio da minha rua pintado de verde e amarelo, indicando que o ônibus com os jogadores da seleção brasileira de futebol por ela ira passar. E foi o que aconteceu. Eu não vi a passagem do ônibus de ida e volta do treino no Beira-Rio, pois eu não estava em casa.

Mas hoje, por volta de 1h30min da manhã, eu ouvi as sirenes dos batedores da escolta do ônibus da seleção quebrando o silêncio da noite. Eu ainda estava acordado, mas tinha coisas mais importantes a fazer do que sair correndo para a janela.

CONSTRANGIMENTO DESNECESSÁRIO:

Hoje, ao ver na imprensa local a repercussão do jogo Brasil X Peru aqui em Porto Alegre ontem, fiquei sabendo de algo constrangedor.

O presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto, convidou a primeira-dama do município, a Sra. Isabela Fogaça, para cantar antes do jogo a canção “Porto Alegre é Demais”, que nos últimos anos se tornou no hino extra-oficial da cidade de Porto Alegre.

Contudo, essa canção tem, para muitos, um grande problema: foi composta pelo atual prefeito de Porto Alegre, o Sr. José Fogaça quando era senador em Brasília.

Como o palco montado no Beira-Rio para os shows que antecederam a partida foi iniciativa do governo do Estado do Rio Grande do Sul, a participação de Isabela Fogaça foi vetada à pedido da governadora Yeda Crusius. Entende-se o veto pelo fato de Yeda ser oponente política do prefeito Fogaça, que pretende se candidatar ao governo do estado no próximo ano.

Eu não sou um esportista, mas acho lamentável que em um evento esportivo da magnitude de um jogo de eliminatórias para a Copa do Mundo de Futebol tenha havido espaço para interferências de cunho político-partidário-ideológico, totalmente desnecessárias. Uma vergonha.

Na condição de eleitor da governa Yeda Crusius, sinto-me no dever de pedir desculpas à primeira-dama, Isabela Fogaça, pelo constrangimento pela qual ela passou ontem em função do mau humor costumeiro da governadora.


Abaixo, dois vídeos com a canção “Porto Alegre é Demais”, que deveria ter sido cantada ontem no Beira-Rio e que tanto irrita a governadora Yeda Crusius, possivelmente por ter sido composta por um de seus adversários políticos que vai enfrentá-la na corrida para o Piratini em 2010.


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PORTO ALEGRE É DEMAIS - Versão reduzida para TV - 1min

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PORTO ALEGRE É DEMAIS - Versão Completa (com fotos) - 2min33s

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

Agradecimentos de formatura e desconvite ao paraninfo

Foto 1: Campus do Vale da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), no bairro Agronomia.


Foto 2: Campus da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica), no bairro Partenon.


Foto 3: Campus do Centro Universitário Metodista do IPA, no bairro Rio Branco.


Foto 4: Campus da quase falida ULBRA (Universidade Luterana do Brasil) em Canoas. Na segunda metade de 2008, mergulhada em dívidas e sem pagar o salário dos professores, a ULBRA perdeu o status de instituição filantrópica por ter investido dinheiro em atividades não relacionadas com o ensino, tais como time de futebol e fazenda onde as pessoas tinham que pagar para entrar e pescar. Parece que recentemente ela conseguiu recuperar a filantropia. Ainda bem!

AGRADECIMENTOS DE FORMATURA:

Recentemente eu estive na formatura de uma turma de um curso de licenciatura de uma das instituições superiores de ensino retratada nas quatro fotos acima.

Naqueles vídeos que costumeiramente ficam passando para os convidados enquanto a cerimônia de formatura não começa, comecei a prestar a atenção no momento em que cada formando(a) fazia seus agradecimentos pela conquista do diploma em educação superior. Todos agradeciam primeiro os pais, depois os familiares e amigos. Ótimo, é isso mesmo! Os teístas também agradeciam a Deus, antes de agradecer os pais. Houve até quem agradecesse os colegas de trabalho e vizinhos. E, lá pelas tantas, alguém lembrava de agradecer seus mestres, os professores.

Eu não peguei o vídeo desde o início e nem contabilizei os agradecimentos. Mas eu tranqüilamente afirmo de cerca de 1 em cada 4 formandos se lembrou de agradecer seus mestres. Poucos consideraram que sem a atuação dos seus professores, eles não estariam ali naquele momento tão importante em suas vidas. E eu fiquei me perguntando se não houve absolutamente nenhum professor que marcasse a trajetória daqueles 3 em cada 4 alunos que preferiam agradecer colegas de trabalho e vizinhos. Triste e lamentável.

E falando em formatura em que a maioria dos formandos esqueceu ou não quis agradecer seus mestres, vejam essa abaixo.

DESCONVITE DE FORMATURA:

Quando a gente acha que já viu tudo que deveria ter visto no mundo, surge algo inédito.

Os textos abaixo não são novos. Já estão há tempo espalhados pela Internet, em diversos sites, especialmente blogs. Li-os pela primeira vez em papel em janeiro de 2006 quando um colega de trabalho os trouxe impressos em uma de nossas reuniões. Achei a situação neles retratada inédita, inusitada, curiosa, inacreditável, constrangedora. Agora, resolvi procurá-los na Internet, e os achei. Abro espaço em meu blog para que você, se ainda não os leu, possa lê-los. E tirar as próprias conclusões.

O primeiro texto é uma carta dos formandos dos cursos de Administração, Turismo, Jornalismo e GSI da Faculdade Estácio de Sá, de Santa Catarina, firmada pelos membros da Comissão de Formatura 2005/2, que lhes estão representando. A carta é endereçada ao Prof. Dr. Rubens Araújo de Oliveira e tem por objetivo – pasmem! – desconvidá-lo da honraria de ser patrono dos formandos. Eu nunca dantes havia ouvido falar de um paraninfo ser desconvidado pela turma. Pois é, e aconteceu na terra brasilis.

O segundo texto é meramente a resposta do professor encaminhada aos formandos que o desconvidaram.
Passamos a eles:

Texto 1 – Escrito pelos alunos formandos. A plena evidência de que para alguns, passar quatro anos fazendo um curso superior e nada é a mesma coisa; a sua transformação em pessoas mais dignas e respeitáveis não aconteceu:

Excelentíssimo Dr. Professor Rubens Araújo de Oliveira

Nós, da comissão de formatura 2005/2 dos cursos de Administração, Turismo, Jornalismo e GSI da Faculdade Estácio de Sá, de Santa Catarina, vimos, por intermédio desta, comunicá-lo de uma situação que nos deixa muito constrangidos e, de certo modo, frustrados. Há alguns meses, em visita pessoal dos membros da comissão de formatura a Vossa Senhoria, solicitamos e fomos prontamente atendidos e correspondidos na solicitação do convite, que muito nos honraria, para homenageá-lo como patrono das turmas acima mencionadas. Até então, também foi abordada a possibilidade de um auxílio para amenizar os custos referentes à formatura. Hoje pela manhã, fomos informados formalmente que o auxílio que poderia ser repassado aos formandos seria de R$ 1.000,00, que entendemos que esteja dentro das suas atuais possibilidades financeiras.
Ao repassar esta informação, a comissão e os demais formandos ficaram em uma situação delicada em face da dificuldade em completar o orçamento. Os mesmos reagiram e sugeriram o auxílio de outra pessoa, que era também cogitada a ser homenageada, cujo valor disponibilizado amortizará o custo relativo ao local da colação de grau, pois contávamos com a disponibilidade do novo auditório da Estácio.

Então, diante desta situação extremamente complicada, nós da comissão acatamos o que a maioria dos formandos optou, que é de homenagear como patrono a outra pessoa que fará uma contribuição mais elevada. Gostaríamos de agradecer o aceite e o comprometimento, nos desculpar pela alteração e pelo não cumprimento do convite que fora gentilmente aceito pelo senhor, mas, diante dos fatos, a maioria decidiu que seria mais justo homenagear a pessoa que se propôs a fazer a maior contribuição para com os formandos.

Assinam os formandos Alex ( ADM ) / Sabrina ( TUR ) / Deise ( JOR ) / Rafael ( ADM ) / Juliana (TUR ) / Mônica( GSI ) Comissão de formatura 2005/2

Texto 2 – A resposta enviada pelo professor aos alunos formandos. Uma lição de moral e ética:

Prezados acadêmicos,
Vocês não devem se sentir constrangidos. Frustrados, sim. Constrangidos, nunca! Quem sabe este constrangimento não se trata de vergonha! Ou de falta de caráter! Ou ainda falta de ética! Entendo que estou “desconvidado” para ser patrono. Em minha vida de quase 30 anos como professor, devo ter sido patrono, paraninfo, nome de turma e homenageado dezenas de vezes. Jamais imaginei que formandos convidassem e “desconvidassem” patronos por dinheiro! Enfim, sempre há uma primeira vez para tudo.

Se eu utilizasse a mesma moeda (literalmente) é uma pena não ter sido comunicado antes… Neste caso, por idêntico critério, não teria pago minha parte como “patrono” na última festinha de confraternização dos formandos.
Meus queridos ex-futuros afilhados:

Eu é que me sinto constrangido. Decepcionado. Surpreso. Triste mesmo!
Constrangido, porque pensei que o convite realizado fosse uma homenagem ao ex-diretor geral da Estácio pela sua capacidade de administrar e levar adiante um projeto que em cinco anos tornou-se a maior escola de administração de Santa Catarina. Todos os cursos que ora estão se formando obtiveram a nota máxima de avaliação do MEC. Patrono é isso: uma pessoa que os formandos entendam deva ser exemplo na área de atuação dos cursos.

Decepcionado, porque pensei que nossos alunos honrassem o título de bacharel após quatro anos de muita luta e sacrifício. Patrono é isso: uma pessoa que dignifica a profissão.

Surpreso, porque jamais imaginei ter sido “comprado” como patrono. Isto é, fui “eleito” pelos formandos somente porque iria dar dinheiro para a formatura. Patrono não é isso. Patrono não se vende.

Triste, porque vejo que não consegui, após quatro anos de curso superior, mudar os valores de alguns alunos da Estácio. Patrono é isso: uma pessoa que possui valores que prezam pela ética, moral, honra e palavra.

Sinto-me aliviado. Dormirei melhor… Não consegui comprá-los por R$ 1.000,00. Obviamente, a honraria de ser patrono vale muito mais do que isso. Tivesse eu as qualidades de um patrono acima citadas, talvez me sentisse “enojado” com a situação. Como não as possuo, sinto-me aliviado em ter poupado um dinheirinho que seria gasto com pessoas das quais me envergonho de ter sentido alguma consideração de relacionamento. Assim sendo, e como não resta alternativa, com muita alegria aceito o “desconvite”.

Entendo que outros formandos não devem compartilhar da mesma opinião desta comissão. A estes, desejo sucesso e sorte. À comissão de formatura e aos outros que trocaram o patrono por dinheiro, o meu desprezo.

Seguramente, a vida lhes ensinará o que a faculdade não conseguiu!
Por último, desejo a todos a felicidade da escolha de um patrono bem rico! Que ele possa pagar todas as despesas e contas… Seguramente, a maior qualidade do homenageado.

Que tenham uma excelente formatura. Estarei lá presente na qualidade de professor da Estácio. Digam ao acadêmico orador que em seu discurso não fale das qualidades dignas do ser humano. Muito menos em decência, honra, moral e ética. Se assim o fizer, irei aparteá-lo e chamá-lo de mentiroso!

Atenciosamente,Prof. RUBENS OLIVEIRA, DrEx-futuro Patrono dos Cursos de Adm, Jor e Tur da Estácio de SC

O que comentar dessa situação? No ano passado, tivemos no interior de São Paulo um grupo de alunos formandos em medicina que, terminado o último semestre, resolveram encher a cara de álcool para comemorar e depois adentrar o hospital bêbados, causado a maior baderna, barulho e incômodo aos pacientes. A ética se perdeu.

Nesta semana, fiquei sabendo de outra situação no interior de São Paulo, também, em que calouros do curso de direito, ao comemorar a primeira semana no curso, atacaram um morador de rua, agrediram-no e cortaram-no o cabelo sem que ele autorizasse. Mais adiante, quando estudarem direito penal, eles vão aprender que o que fizeram está tipificado no artigo 129 do Código Penal Brasileiro (Decreto Lei 2.848 de 07/12/1940) e se chama crime de lesão corporal, com pena de detenção de 3 meses a 1 ano. Esses alunos, se conseguirem posteriormente passarem nos rigorosos exames de ordem da OAB, daqui a 6 anos estarão aptos a nos defender e nos dar lição de moral. E alguns se tornarão juízes e promotores, inacreditavelmente.

Relendo a carta desconvite e vendo essas situações constrangedoras em que formandos de medicina chutam a ética para escanteio, desrespeitando os pacientes, e calouros de direito que já iniciam o curso cometendo crimes, o que esperar da educação no Brasil?

Espero que a ética e moral que os alunos da Estácio de Sá de Santa Catarina não conseguiram aprender durante o curso, eles consigam, de alguma forma, aprender no exercício de suas profissões.
Até breve!

O dia em que o bairro da Vila Nova, em Porto Alegre, irritou profundamente um curitibano

Observem bem essas 5 fotos que eu tirei do bairro Vila Nova, na Zona Sul de Porto Alegre, na tarde do dia 18/01/2009. Essas fotos, junto com outras 55, foram postadas em uma linha de discussão (thread) no site de fórum SkyScraperCity (SSC) no mesmo dia 18/01.


A Vila Nova é considerada um bairro rural e é o bairro natal de duas personalidades atuais do esporte brasileiro, o futebolista Ronaldinho Gaúcho e a ginasta Daiane dos Santos.

Eu jamais iria imaginar que as minhas fotos da Vila Nova no SSC fossem irritar um forista de Curitiba, Paraná. Eis a mensagem que ele escreveu lá no SSC depois de ter visto minhas fotos do bairro:


Sinceramente, não gostei. A qualidade de imagem das fotos não se discute, mas fiquei decepcionado com este lado rural de POA. Se quero turismo rural vou para o interior. Não se espera isto de uma capital. Logo se vê que Curitiba deixou POA para trás. Aqui não existe nada parecido com estas imagens bucólicas. Viva a moderna e urbanizada Capital do Paraná!

catarina de Curitiba, 27 anos, postado em 04/02/2009


Bem, o que dizer disso? A minha mãe, que de vez em quando diz palavras sábias usando uma linguagem simples que lhe é peculiar, diria “há retardados para tudo!”. Faço minhas as palavras da minha querida mãe.

Eu não sei porque alguns curitibanos agem assim, com tanto pedantismo e empáfia. Eu não tenho conhecidos em Curitiba (parentes, amigos e amigos virtuais), mas imagino que nem todos são assim como o forista catarina de Curitiba. Mesmo não conhecendo a realidade da capital paranaense, fico pensando se não há áreas rurais em torno de Curitiba, a exemplo de Porto Alegre, Florianópolis e Rio de Janeiro?

O que move uma pessoa retardada, como esse catarina de Curitiba, a escrever um texto agressivo assim contra uma cidade que não é a sua? Não encontramos porto-alegrenses falando mal de Curitiba. Muito pelo contrário. Curitiba é sempre tida como exemplo de cidade que sabe vencer os desafios do desenvolvimento urbano com planejamento e organização. Porém, em diversos fóruns na Internet, já ouvi mais de um curitibano falando mal de Porto Alegre, muitas vezes sem conhecer a cidade direito. Por que isso?

Uma palavra responde: inveja.


E além da inveja, uma clara intenção de gerar polêmica.

Fui!

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Forum Social Mundial - Parte II - Bobagem

Foto 01: Anfiteatro Pôr-do-Sol.


Foto 2: Movimentação das pessoas na avenida Beira-Rio com Ipiranga.

Foto 3: Ambulante vendendo camisetas e outros itens com motivos esquerdistas.


De vez em quando a gente se depara com alguma bobagem na Internet.

Já que a postagem anterior foi sobre minhas memórias do Fórum Social Mundial de 2005, eu gostaria de partilhar com você uma bobagem que eu encontrei sobre o FSM na comunidade Forum (sic) Social Mundial – POA no Orkut e a resposta que eu dei.

No thread Aqui em 2010?, um dos membros da comunidade, que se identifica pelo nome de Moisés, escreveu, no dia 03/11/2008, a seguinte bobagem:

Exatamente!
e até pq a cidade se elitizou muito depois do Fórum, tanto que nas duas últimas eleições elegemos Fogaça que expulsou o FSM de Porto Alegre...
Eu acho que POA não é mais a mesma, e outras cidades sediando o FSM é fundamental pro sucesso do evento...

O grifo é meu.

Eu só fui ver a postagem dele agora em janeiro e respondi em 27/01/2009. É possível que ele sequer tenha lido a minha reposta ainda. E talvez nem leia. Mesmo assim, eis o que eu escrevi:

Perdoe-me, MOISÉS, mas tenho que discordar de você, porém sem a intenção de defender o prefeito Fogaça e ofender suas crenças ideológicas.

Mas antes de tudo e que você possa ficar brabo comigo, deixe-me dizer claramente que eu também gostaria muito que o FMS continuasse em Porto Alegre.

Quando Fogaça foi eleito prefeito de Porto Alegre pela primeira vez em 31 de outubro de 2004, na manhã do dia 01/11/04 – a segunda-feira logo após o pleito que o consagrou nas urnas –, um dos organizadores do Fórum Social Mundial e membro do PT, cujo nome eu não me recordo, bradou enfurecidamente nos microfones na Rádio Gaúcha que o 4º FMS não aconteceria mais em POA em janeiro de 2005 porque ao eleger Fogaça, Porto Alegre havia “perdido sua identidade com o PT”.

A fala insana desse organizador estava impregnada de uma atitude ideologicamente reacionária e retaliatória pela sua frustração pessoal de que o PT havia perdido a prefeitura de Porto Alegre no dia anterior. E deixou bem claro, para mim, o seu entendimento de apropriação partidária do FSM.

Felizmente, alguém com mais juízo – mas nem tanto – dentre os organizadores locais do FSM desmentiu no mesmo dia que o FSM deixaria de ocorrer em Porto Alegre dali dois meses. Porém, a justificativa dada foi de que os participantes internacionais já estavam com as reservas de hotéis e dois meses era pouco tempo hábil para a mudança de sede do FSM, pois tudo já estava encaminhado em relação à sua organização. Isso me deixou claro que, se houvesse tempo hábil para transferir a sede do FSM, eles assim o fariam.

Embora tendo criticado arduamente o FSM, classificando-o de “Disneylândia Ideológica”, Fogaça disse em campanha que caso ganhasse, ele manteria o apoio da prefeitura, com disponibilização de recursos e tudo mais, para a realização do 4º FSM e os demais que porventura viessem a acontecer em POA durante a sua administração. E ele cumpriu sua palavra em relação à 4ª edição do FSM em janeiro de 2005.

Entretanto, no primeiro dia da de realização do 4º FSM em 2005, o Conselho Internacional do FSM se reuniu na Usina do Gasômetro e deliberou sobre as futuras realizações do evento, decidindo por seu policentrismo em 2006 e que ele deveria ser itinerante para que pudesse acontecer em outros países do dito Terceiro Mundo. A partir dali, a cada ano o FSM aconteceria em cidades e países diferentes.

E, se sua memória não for curta, você deve lembrar que em 2004, quando Fogaça ainda não era prefeito, o FSM aconteceu em Mumbai, Índia. Quem foi que expulsou o FSM de Porto Alegre em 2004? O prefeito João Verle do PT?

PORTANTO, se o FSM não aconteceu mais em Porto Alegre, não foi porque o prefeito Fogaça o “expulsou”. Com todo o respeito, afirmar isso é discurso irracional e reacionário de alguém frustrado pela derrota nas urnas que sepultou 16 anos de administração petista. A saída do FSM de Porto Alegre foi apenas uma deliberação em colegiado dos próprios organizadores do evento.

Por ter surgido aqui, espero que um dia o FMS retorne a Porto Alegre. Abraços!

Forum Social Mundial - Parte I - Memórias

Foto 1: Tendas próximas ao Parque Marinha do Brasil

Foto 2: Acampamento Intercontinental da Juventude 2005, no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho.

Foto 3: Esse monumento representando três sóis não existe mais. Foi doado pelo autor depois de uma das edições da Bienal do Mercosul. Ficou algum tempo aí até ser vandalizado e completamente destruído.

Foto 4: Participantes do FSM 2005 fazendo danças de índios.

Foto 5: Encenação teatral no em frente ao Anfitreatro Pôr-do-Sol. Foi uma peça encenada em conjunto por atores brasileiros e argentinos. Desculpe as tarjas brancas, apesar de ser nu artístico.

MEMÓRIAS DO FORUM SOCIAL MUNDIAL

No instante em que estou escrevendo este texto, está acontecendo o Fórum Social Mundial 2009 na cidade de Belém do Pará.


Confesso que tenho saudades de quando o FSM acontecia em Porto Alegre. O último que aconteceu aqui foi em janeiro de 2005.

Porto Alegre é a cidade onde o FSM nasceu e o acolheu em suas quatro primeiras edições brasileiras (2001, 2002, 2003 e 2005). Em 2004 o FSM aconteceu em Mumbai, Índia.

Fico contente que ele se tornou itinerante e que em 2009 voltou a realizar-se no Brasil. Aguardo com ansiedade o seu regresso a Porto Alegre um dia. Falo sério!

Eu participei de três edições do FMS. Só não participei da edição embrionária de 2001. Lembro-me muito mais da edição de 2005, tendo ainda claro em minha mente o agito do Acampamento Intercontinental da Juventude, no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho e em torno do qual grande parte das atividades aconteceu.

Lembro das tendas ao longo do parque junto à orla do Guaíba. As águas do lago estavam esverdeadas em função seu baixo nível e proliferação de algas, fenômeno que acontece apenas no verão. Alguns estrangeiros se encantaram com a cor da água e resolveram banhar-se nela. E disse a eles que aquilo não era o mar de Santa Catarina. Se entenderam a minha mensagem, não sei.

Lembro, também, que o mapa oficial do evento trazia apenas o apelido do parque – Parque da Harmonia – ao invés do seu nome oficial. Motivo: talvez pelo fato de que a esquerda de Porto Alegre detestava Maurício Sirotsky Sobrinho, fundador do Grupo RBS, afiliado à Rede Globo. Precisa dizer mais?

Lembro de ouvir deliciosamente os sotaques das gentes vindas de diversas partes do país. Lembro dos sotaques estrangeiros, também.

Eu ia todas as tardes ao Acampamento Intercontinental da Juventude munido de minha máquina de fotografia, nunca ficando parado em um mesmo lugar, sempre atento a tudo que estava acontecendo. Participei de uma passeata ao longo da avenida Beira-Rio. Assinei o caderno Fuck you, Bush! em que a gente era convidado a escrever um motivo para mandar o presidente Bush se fuder, com o perdão da palavra. Participei de alguns debates, como ouvinte. Vi e ouvi debates sobre o uso da água e sobre a condição dos índios brasileiros. Visitei por mais de uma vez a tenda solidária de Cuba onde a vedete era, na verdade, a Venezuela, repleta de propaganda pró-comandante Hugo Rafael Chávez Frías e sua Revolução Bolivariana. Por sinal, era a tenda mais apinhada e difícil de adentrar. Só não vi muita gente de Cuba. Imaginei que o comandante Fidel Castro pudesse ter vetado a participação de cidadãos cubanos no evento, possivelmente temeroso de que eles pudessem pedir asilo político ao Brasil. Bobagem, pois já houve caso de o Brasil deportar sumariamente cidadãos cubanos e conceder abrigo político a quem não precisa. Mas vamos voltar às memórias do FSM.

Por falar em comandante, o companheiro Hugo Chávez foi a grande estrela do FSM de 2005. Visitou-nos, discursou no dia 30 de janeiro no Gigantinho, foi ovacionado orgasmicamente pelos simpatizantes da esquerda e participou de um evento antiglobalização e neoliberalismo no município de Tapes. Confesso que se eu tivesse paciência de me meter em uma multidão de enlouquecidos, eu teria ido ao Gigantinho ouvir as palavras do comandante Chávez, porém sem ter orgamos múltiplos.

Entrei na tenda Logum Édè, da diversidade sexual, para ouvir as mulheres lésbicas discutirem e denunciarem os preconceitos que sofrem. Havia até uma tenda com discussões dos skatistas. Havia de tudo, e isso é que era o legal do FSM.

Na Praça Brigadeiro Sampaio havia encenações teatrais ao ar livre de companhias de teatro argentinas. Da mesma forma, ocorriam outras encenações no Anfiteatro Pôr-do-Sol.

Caminhei pela orla do Guaíba para tirar fotos da margem e vi uma carteira de uma argentina atirada em meio aos juncos, com passaporte e outros documentos, mas sem dinheiro. Imaginei que naquele momento ela deveria estar apavorada atrás dos seus documentos. Juntei a carteira e levei-a até um posto da Brigada Militar próximo ao Gasômetro. Depois, pus-me a pensar sobre como aquela carteira foi parar naquele local. Será que ela havia sido assaltada? Será que foi estuprada? Em se tratando de FMS, tudo poderia ter acontecido.

Vi pelo menos um antagonismo que eu não consegui entender direito, que já mereceu comentários meus aqui no meu blog e em outros fóruns na Internet. Qual foi? As mesmas pessoas protestando contra o imperialismo dos Estados Unidos e suas grandes multinacionais que exploram o Terceiro Mundo, estavam segurando latinhas de Coca-Cola para “matar a sede” e se “refrescar” no calor insuportável de Porto Alegre. Pode?

E vi pelo menos uma ironia. As famosas camisetas com a foto Gerrillero Heroico, penduradas por vendedores ambulantes e sendo vendidas que nem água. Para quem não esteja ligando o nome com a pessoa, Guerrillero Heroico é aquela famosa foto do Che Guevara barbudo e de boina, tirada pelo fotógrafo Alberto Korda em 05/03/1060 e que se tornou na imagem mais rentável do mundo. Imaginem só, logo ele, Che Guevara, que odiava o capitalismo! Ele deve estar se revirando em seu túmulo. Quem recentemente pode ter se aproximado a ele em rentabilidade de sua imagem é, ironicamente, o presidente Barack Husseim Obama.

Só não gostei de uma coisa no FSM de 2005. No penúltimo dia, eu estava caminhando pelo Acampamento Intercontinental da Juventude e passei por umas barracas onde havia um grupo de baianos tocando um instrumento musical que eu não conhecia. Eles eram baianos porque acima da barraca deles havia uma placa de madeira dizendo Cantinho da Bahia. Quando eles me viram, eles fizeram um gesto com a mão pedindo que eu me aproximasse deles. E igualmente com as mãos, eu gesticulei que não. Daí eles disseram bem alto que eu deveria “me abrir para outras culturas e parar de tomar só chimarrão”. Eu fiquei indignado com essa fala, mas não parei nem respondi para eles. Apenas sorri e segui caminhando e imaginando razões da fala agressiva. Como eles sabiam que eu era gaúcho se eu não falei nada com eles? O Acampamento Intercontinental da Juventude é território de gente de todos os lugares do Brasil e do mundo. A única maneira de eles terem tido certeza que eu era gaúcho seria ter ouvido o meu sotaque ou me perguntado onde eu havia nascido. Ou será que eles deduziram que eu era gaúcho porque eu sou branquinho e tenho os olhos verdes-azulados? Nem todos que são brancos e têm olhos verdes, azuis ou a mistura dos dois – como eu – são gaúchos! E ainda, apenas supondo que eu era gaúcho, de onde eles tiraram que eu tomava chimarrão? Nem todo o gaúcho toma chimarrão! Eu raramente tomo chimarrão, ainda mais no verão! E mais, supondo que eu sou gaúcho e que tomo chimarrão, desde quando eu não estou aberto a outras culturas? Que idiotice! Eu apenas não parei quando eles me chamaram porque eu estava podre de cansado. Só isso!

Abraço a todos!

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

Igreja de Nossa Senhora das Dores e a Lenda das Torres Malditas





Localizada no centro de Porto Alegre, na rua da Praia, próxima à Casa de Cultura Mário Quintana, a Igreja de Nossa Senhora das Dores é considerada a mais antiga ainda existente na cidade. Sua pedra fundamental foi lançada em 1807 e a construção concluída em 1866. O estilo arquitetônico da igreja é o barroco colonial e nela se destacam as duas inconfundíveis torres e a escadaria que a liga à calçada da rua da Praia.

Eu considero a Igreja de Nossa Senhora das Dores aquela em Porto Alegre, que mais se assemelga às igrejas baianas. Na primeira vez que eu assisti o filme “O Pagador de Promessas” (direção de Anselmo Duarte, 1962), eu achei que igreja do filme era a de Nossa Senhora das Dores.

Há uma lenda envolvendo a construção da Igreja de Nossa Senhora das Dores que eu reproduzo abaixo. O texto “As Torres Malditas”, mal escrito, por sinal, foi extraído do livro “Lendas Gaúchas” (2007).

AS TORRES MALDITAS

Quando as águas do Guaíba ainda costumavam encostar na Rua da Praia, no centro de Porto Alegre, começou a ser construída a Igreja de Nossa Senhora das Dores. Demorou quase um século para ficar pronta. Sua pedra fundamental foi lançada em 1807. Nos idos de 1830, não passava de um mero canteiro de obras. A demora, diz a lenda, nada teria a ver com cálculos malfeitos, e sim com preconceito e injustiça. Construída em estilo barroco, a igreja tem duas torres de cerca de cinqüenta metros e uma alta escadaria, num conjunto harmonioso.

Este belo templo de fé e arquitetura, no entanto, não teve nada de harmonioso em sua edificação.

O atraso nos primórdios da obra se explica pela forma como era custeada. Todos os recursos ali empregados vinham de doações dos moradores mais endinheirados de Porto Alegre, naquela época muito poucos por sinal. Assim, o andamento da construção dependia da quase sempre escassa boa vontade desses doadores. De vez em quando, se a situação permitisse, lá iam entregar madeira, pedra, bronze para os sinos, tinta para os santos, vidro para os vitrais. Vez que outra, a oferta era mesmo em dinheiro.

Botar escravos para trabalhar também era uma forma de contribuir com a obra da igreja. Afinal, eram os negros que faziam todo o trabalho braçal naqueles tempos. Emprestando alguns de seus cativos para as lides da construção, o senhor de escravos ficava com a consciência limpa e com a certeza de que estava garantindo o seu lugar no céu, a custa do suor dos outros.

Um desses senhores era Domingos José Lopes. Um desses negros chamava-se Josino.

Domingos, que era proprietário de Josino, havia emprestado o escravo para trabalhar na santa obra. Josino trabalhava duro todo o dia, seguindo ordens. Levava tábuas para cima e para baixo, carregava pedras mais pesadas do que ele mesmo, encarava o sol do meio-dia, sem água, sem comida, sem descanso, sem reclamar, até a exaustão. Ele sabia o que acontecia com os que reclamavam e não queria que acontecesse o mesmo com ele.

Apesar do esforço de Josino e de centenas de escravos como ele, que todo dia davam o couro em prol da paróquia, a obra parecia que não andava no ritmo esperado. Porto Alegre crescia, as doações aumentavam, mas a igreja das Dores continuava do mesmo tamanho.

Havia um motivo para isso.

Boa parte da madeira que chegava à igreja pouco ali ficava. Assim como parte das pedras. A terra, os pregos, barro, a argila, quase todo o donativo era deixado no canteiro de obras, mas de lá saía praticamente intacto. Os ricos doavam, mas depois de doar pegavam um bom pedaço de volta. Os escravos ficavam numa labuta insana, carregando coisas de um lado para o outro, tirando de uma carroça de manhã para colocar na mesma no final da tarde. Sem reclamar.

Josino sabia disso tudo, mas ficava quieto. Quem ia acreditar na palavra de um escravo? Era ele contra todos, e ele já havia apanhado demais na vida para saber que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

Anos se passaram. Depois de muito trabalho e desvio de material, a igreja finalmente tomou corpo, faltando para a conclusão somente as duas torres. Mesmo sem a obra estar completamente pronta, decidiram que já era a hora de se fazer a inauguração. Foi então instalada no interior do templo uma imagem de Nossa Senhora, ricamente enfeitada, cheia de jóias. Chegava o momento da consagração.

Eis que sumiu uma das pedras preciosas que ador­navam a imagem da mãe de Cristo. Muito se discute obre quem seria o autor do roubo. Uns dizem que foi um padre, para dar de presente à amante. Outros apontam um homem muito rico, ansioso em ficar mais rico. Há quem afirme que o tal roubo nunca existiu, que a imagem já chegou sem a jóia. Se alguém levou a preciosidade, foi no caminho até Porto Alegre.

Mas quem quer que tenha sido o verdadeiro culpado, um inocente teve de pagar pelo crime: o escravo Josino.

Naquele tempo pouco adiantava contestar acusações, e as pessoas, ainda mais um escravo, podiam ser condenadas sem provas. Cabia a Domingos, proprietário de Josino, escolher sua sentença. Domingos nem pensou em defendê-lo. Muito pelo contrário: condenou-o à morte par enforcamento. Escravos, afinal de contas, eram coisas que se vendiam e se compravam, um a mais ou um a menos não faria nenhuma diferença para um grande proprietário como ele. Quem se importava com a alma de um escravo? Muitos acreditavam que os negros nem alma tinham. Não adiantava reclamar.

No dia da execução, no entanto, Josino reclamou.

O pelourinho, para onde eram levados os condenados à forca, ficava exatamente na frente da igreja das Dores. A Josino foi dado o direito de dizer suas últimas palavras. Pediu a ajuda de Deus e rogou uma praga para obra que lhe havia custado a vida:

– Vou morrer porque sou escravo, mas vou morrer inocente. A prova da minha inocência é que as torres da Igreja das Dores nunca vão ficar prontas!

Poucas pessoas lhe deram ouvido na hora, mas suas palavras seriam lembradas mais tarde. Cinco meses depois do enforcamento de Josino, conta a tradição que as torres quase concluídas balançaram uma, duas, três vezes e se esfarelaram no chão como castelos de areia.

A notícia correu a cidade e todos lembraram então da ameaça do escravo. Rezaram-se novenas e mais novenas pela alma do inocente, para que a igreja pudesse ser concluída, mas nada adiantou.

A maldição de Josino se mantinha. Par décadas as obras continuaram em vão. O reboco desmoronava, perdiam-se as plantas, até raios caiam atingindo a construção. Somente em 20 de julho de 1901, a praga de Josino se extinguiria. A Igreja de Nossa Senhora das Dores enfim seria completada, com a colocação de um cruzeiro de ferro entre as duas torres, agora bem sólidas.

E uma ironia histórica se completaria: o cruzeiro foi colocado pelo prior da irmandade na época, Aurélio Ve­ríssimo de Bittencourt, negro coma o escravo Josino.

Fonte: HAASE FILHO, Pedro (org.) Lendas gaúchas. Porto Alegre: RBS Publicações, 2007.

Sábado, Janeiro 24, 2009

Cúpula da Catedral de Porto Alegre e Vergonha de ser Brasileiro


Cúpula da Catedral Metropolitana, na Praça da Matriz, centro de Porto Alegre.

VERGONHA DE SER BRASILEIRO

Na semana que passou, o Ministro da Justiça Tarso Genro me deu motivo para eu sentir vergonha de ser brasileiro ao conceder refúgio político ao companheiro gangster italiano Cesare Battisti, guerrilheiro da extrema esquerda e um dos chefões da organização italiana Proletários Armados pelo Comunismo.

Considerado terrorista e assassino em seu país de origem, o companheiro Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália em 1993 por ter matado quatro pessoas no final dos anos 70, crimes pelos quais ele jura inocência. Por obséquio, alguém já viu algum criminoso da extrema esquerda, não importando qual o seu país de origem, assumir seus crimes? Eu ainda não. Todos são “inocentes”.

Tarso aceitou os argumentos apresentados pelo advogado do companheiro Battisti de que ele não sabia que estava sendo processado e, como conseqüência, não pode se defender no processo que o condenou à prisão perpétua. Fiz pesquisa na Internet e descobri que o companheiro Battisti foi julgado à revelia. Para quem não sabe que isso quer dizer, “ser julgado à revelia” significa que o réu não compareceu em juízo para se defender. Tanto na Itália quanto no Brasil, quando isso ocorre, há a presunção legal de culpa. Tanto lá quanto aqui, se o réu não comparece em juízo, o magistrado entende que ele está assumindo a culpa pelos crimes que lhe estão sendo imputados e o condena. Parece que o Tarso Genro, que tem formação jurídica, esqueceu disso.

Embora soberana e baseada em razões que a própria razão não consegue entender, a lamentável decisão do Brasil, na pessoa do ministro companheiro Tarso Genro e endossada pelo companheiro Lula, apenas corrobora a imagem que o nosso país tem desde os anos 70 como refúgio paradisíaco e 100% seguro para os mais torpes criminosos europeus. E de outros continentes também.

Vez que outra o Brasil desperdiça momentos preciosos de mostrar às nações estrangeiras seriedade e impor respeito como nação onde as leis são cumpridas. Esse episódio envolvendo o gangster Battisti é mais um que se soma.

Mas por que tudo isso? Será que é porque Battisti tem perfil de companheiro? Será porque o partido do ministro simpatiza com organizações de extrema esquerda? Será porque o partido do ministro abriga ex-terroristas em seu quadro de membros? Pode ser tudo isso, mas no fundo eu também acredito que a decisão de Tarso Genro é meramente uma retaliação política ao fato de que a Itália se recusou a extraditar para o Brasil o banqueiro Salvatore Cacciola, que tem cidadania italiana. E a Itália, assim como o Brasil, não extradita seus cidadãos. Ponto!

Cacciola só foi finalmente extraditado para o Brasil porque fez a burrada de dar uma escapadinha da Itália para visitar a namorada gaúcha em Mônaco. Como ele não é cidadão de Monâco, abriu-se então o portão para a sua extradição.

Se o assassino Battisti realmente ficar no Brasil e desfrutar impune das belezas de nosso país, a única maneira de ele ser preso e voltar à Itália é sair do Brasil para algum país vizinho e lá ser pego pela Interpol, a exemplo do que fez Cacciola.

A decisão de Tarso Genro em manter o companheiro Battisti no Brasil é lamentável porque...

1) ...fere o princípio da moralidade;

2)...desrespeita uma decisão soberana da justiça italiana;

3) ...é aparentemente retaliatória;

4) ...o ministro se esqueceu que nenhum país extradita cidadãos seus (caso sua decisão tenha sido motivada pelo desejo de retaliar à recusa italiana da extradição de Cacciola para o Brasil);

5) ...o ministro ignora que o fato de alguém não saber que está sendo processado é uma mera ficção;

6) ...o ministro, que também é advogado, esqueceu o que lhe ensinaram na academia e que está preceituado na lei: se o réu não oferece sua defesa, ele é julgado à revelia e condenado pelos crimes que lhe são imputados, presumindo-se a culpa, tanto no Brasil quanto na Itália.

De resto, parabéns, ministro Tarso Genro. Continue cagando fora do penico. Eu sei que o seu maior sonho é ser presidente do Brasil um dia, e compensar a chinelada que o Sr. levou nas urnas quando tentou ser governador do Rio Grande do Sul. E eu lhe digo – peremptoriamente – que se um dia o Sr. se candidatar a presidente, o que eu acho muito difícil, eu vou me lembrar que certa vez o Sr. deu abrigo em nosso território a um bandido companheiro italiano, terrorista de primeiro escalão da extrema esquerda.

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Capitólio - Washington D.C.

Essa foto é a única não digital neste blog, tirada na última semana de dezembro de 1997, logo após o Natal, em frente ao Capitólio (sede do Congresso americano) em Washington. Ah, e antes que perguntem, sim, a pessoa da foto sou eu, 12 anos mais novo. E essa é a única foto deste blog em que eu apareço.

Falando em Capitólio, hoje o poder troca de mãos nos Estados Unidos. O dia festivo é histórico não apenas porque Barack Husseim Obama é o primeiro presidente negro a comandar o país, mas também porque chega ao poder com um dos maiores índices de popularidade e com a tarefa primeira de recuperar a economia do país mergulhado na pior recessão de sua história depois do crash em 1929. Além disso, tem Obama a responsabilidade de juntar os cacos da imagem despedaçada que restou dos Estados Unidos perante o mundo depois dos oito anos do governo desastrado do presidente Bush.

Ontem, ao ver nos noticiários de TV a venda de produtos com a imagem de Obama – camisetas, quadros, pins, buttons, canecas, etc – , resultantes da chamada Obamamania que tomou conta da América, uma indagação me veio: será que, finalmente, camisetas com o rosto de um líder internacional vai vender mais do que as camisetas com Chê Guevara? E, ironicamente, esse líder tinha que ser justamente americano?!? Chê Guevara deve estar tremendo de raiva lá embaixo.

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

Feliz 2009!


Salve todos!

As duas imagens acima (avenida Nonoai e Praia da Pedra Redonda, ambos em Porto Alegre) são para brindar o novo ano!

Meu Deus! A última postagem no meu blog foi feita em 16 de novembro de 2008. Ou seja, há dois meses atrás!

E o que aconteceu nesses dois meses? Muito trabalho. E além disso, fiquei me ocupando de colocar fotos no SkyscraperCity (SSC), que é um site fórum sobre cidades no mundo todo.

Abaixo estão os links de todos os meus threads no SSC. São 30 até agora. Vocês podem clicá-los e visitá-los.

Um grande 2009 para todos, repleto de prosperidade e realizações!

01 - RS - Novo Hamburgo - Patrimônio arquitetônico colonial do bairro Hamburgo Velho

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Domingo, Novembro 16, 2008

Figueira Centenária do Bairro Cristal (e Histórica, Também)


Ontem eu comprei na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre um livro chamado “Cristal”, série “Memórias do Bairro”, editado pela Prefeitura de Porto Alegre em 2003. O livro trata da história do bairro Cristal, na zona sul da cidade e, a propósito, o bairro onde eu moro.

Na página 11, há uma informação de que Bento Gonçalves da Silva acampou com as suas tropas em baixo de uma figueira em 1835 na região onde hoje está o bairro Cristal antes de invadir Porto Alegre, dando início à famosa Guerra dos Farrapos.

A figueira existe até hoje e está na confluência da Rua Curupaiti com a Av. Dr. Campos Velho.

Acima, a foto da famosa figueira sob a qual Bento Gonçalves e suas tropas estacionaram antes de invadir Porto Alegre.

Eu moro há duas quadras dessa figueira para lá de centenária e só ontem, ao ler o livro, eu fiquei sabendo de seu passado histórico ilustre. Se aqui no Brasil respeitássemos a memória de eventos históricos assim como fazem os norte-americanos, por exemplo, haveria hoje ali placas informando sobre o fato e a figueira seria tratada como ponto turístico.

A figueira, conhecida por todos os moradores do bairro, está hoje cercada (como se observa nas fotos) e tem uma parte preenchida com cimento para evitar depredação. Quando pequeno, minha mente ficava poluída de imaginação com relação a essa figueira, achando que ela fosse mal assombrada e coisas
do tipo.

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Segunda-feira, Outubro 27, 2008

Domingo de Eleição - Nostalgia da Infância e Adolescência






As duas primeiras fotos mostram detalhes da Escola Estadual Professor Elpídeo Ferreira Paes, no bairro Cristal, em Porto Alegre, onde eu fiz a minha 8ª série e onde fica a minha sessão eleitoral.

Nas três últimas fotos, a rua Jataí, no bairro Cristal, em Porto Alegre, por onde eu tanto passei a caminho de casa depois que saia da escola onde eu cursei a 8ª série.

Essas fotos foram tiradas na tarde do dia 26/10/2008 quando em caminhava em direção à escola para votar.

NOSTALGIA EM DOMINGO DE ELEIÇÃO

Ontem, dia 26/10/08, eu fui votar no meio da tarde. Como a chuva em Porto Alegre já havia parado e os raios do sol estavam timidamente aparecendo, eu resolvi ir à escola a pé uma vez que ela fica a quatro quadras da minha casa. Foi bom ter feito o percurso a pé, pois havia anos que eu não o fazia. Foi nostálgico, pois caminhei pelas ruas em que, durante minha infância e adolescência, eu sempre passava a pé no caminho de ida e de volta da escola. Como estava com a câmera digital, eu tirei fotos das ruas por onde eu costumava passar e as casas que eu gostava de admirar na infância e adolescência. E em algumas das casas, eu parei na frente e lembrei das pessoas que nelas moravam, na maioria colegas de escolas. Onde será que estão hoje? Algumas, eu sei, já não estão mais entre nós.

Lá na escola, um montão de imagens me veio à cabeça quando nela eu fiz a oitava série. Era uma escola muito limpa e cuidada na época. Hoje, suja, com as paredes pichadas de desenhos feitos pelos alunos, algumas rachadas e os pisos quebrados. Um quadro desolador.

RELAXA E GOZA!

A justiça tarda mas não falha. Do que eu mais gostei nessas eleições municipais de 2008 foi a derrota em São Paulo da candidata petista Marta Suplicy. Foi o tapa bem merecido dado pelo povo em resposta ao seu infame deboche do “relaxa e goza” naquela época em que o caos predominava nos aeroportos brasileiros. Alguns políticos podem não ter juízo, mas o povo tem. Ter sido derrotada com 39,28% dos votos válidos ainda foi pouco. Mas o que o importa é a derrota. Agora, o que resta à Sr. Marta Suplicy é relaxar e gozar.

Sábado, Outubro 11, 2008

Theatro São Pedro e Altas Horas


Theatro São Pedro, no centro de Porto Alegre, junto à Praça da Matriz. Começou a ser construído em 1834, mas teve sua construção interrompida um ano depois em função da Guerra dos Farrapos, sendo retomada apenas em 1850. Foi inaugurado em 1858. E reinaugurado em 1984 após vários anos fechado em virtude de restauração.

No início desta semana, foi filmado no Theatro São Pedro o programa Altas Horas, de Serginho Groisman, em comemoração ao seu 8º aniversário no ar. O programa deverá ir ao ar em 25 de outubro de 2008 pela Rede Globo.

Perguntado por repórteres o porquê de ter escolhido Porto Alegre para gravar a edição de aniversário do programa, Serginho Groisman – que não é gaúcho – largou essa:

– Escolhemos Porto Alegre antes que o Rio Grande do Sul se separe do Brasil!

Pois é! Essa questão do separatismo parece se perpetuar.

Eu já tive discussões homéricas em sites de fórum na Internet, como o Orkut e o Brazzil.com, por conta de um suposto separatismo do Rio Grande do Sul. Reconheço que há muitas pessoas aqui no Sul que gostariam que não apenas o Rio Grande do Sul, mas também Santa Catarina e até o Paraná se unissem e se separassem do Brasil. Há inclusive um movimento com site oficial na Internet chamado “O Sul é o meu país”. Entretanto, esse desejo de emancipação dos estados do Sul felizmente não toma conta do espírito de todos os gaúchos. Não sei se há um percentual, pois desconheço alguma pesquisa de opinião a esse respeito, mas chutaria que mais da metade dos gaúchos não anseia uma separação de nosso estado do resto do Brasil.

Sempre argumentei nos fóruns de Internet que, apesar de haver alguns gaúchos que infelizmente advogam uma separação do Rio Grande do Sul do Brasil, nenhum estaria disposto a agir nesse sentido. E agir seria pegar em armas e lutar, pois em nenhum lugar do mundo onde houve a emancipação de um Estado, ela ocorreu pacificamente.

É triste saber da infeliz colocação de Serginho Groisman. Se foi piada, foi de muito mau gosto. Quem mais perpetua a separação do Rio Grande do Sul do resto do Brasil são justamente os não gaúchos.

E aos não gaúchos que gostam de nos rotular de separatistas e insistem em perpetuar essa questão: o Rio Grande do Sul se separou do Brasil apenas uma vez, em 1836 - há 172 anos atrás, portanto - quando o estado se chamava oficialmente Província de São Pedro. Fiquem tranqüilos. Jamais iremos nos separar do Brasil.

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Domingo, Outubro 05, 2008

Museu da Fundação Iberê Camargo










MUSEU DA FUNDAÇÃO IBERÊ CAMARGO

Iberê Camargo (1914-1994) foi um pintor gaúcho. De acordo com informações retiradas do site oficial da Fundação Iberê Camargo, o pintor nunca se filiou a correntes ou movimentos artísticos. Sua obra se caracteriza por várias pinturas e gravuras de carretéis, ciclistas e idiotas. Uma bicicleta desenhada por Iberê, a propósito, é o símbolo e logotipo da fundação que leva o seu nome.

Em 30/05/2008, foi inaugurado o Museu da Fundação Iberê Camargo em um prédio projetado pelo arquiteto português Álvaro Siza Vieira e construído no bairro Cristal, zona sul de Porto Alegre, na margem esquerda do Lago Guaíba.
O objetivo é abrigar nesse prédio o acervo deixado por Iberê Camargo com mais de 7 mil obras. Claro que nem todas vão estar expostas ao público ao mesmo tempo. Do fim de maio até o mês de agosto deste ano, os três andares do museu foram ocupados com a primeira exposição das obras de Iberê chamada de “Persistência do Corpo”. A intenção dos curadores do museu é, terminada a exposição “Persistência do Corpo”, usar um andar do prédio exclusivamente para exposições de obras de Iberê Camargo e os demais andares para exposições itinerantes. Eu fui ver a exposição “Persistência do Corpo”, mas não retornei lá depois de agosto.

Mesmo sendo leigo em pintura, gostaria de expor minhas impressões a cerca do que eu vi quando visitei o Museu da Fundação Iberê Camargo.

O que mais me chamou a atenção – e talvez a de todos que por lá passaram – é a grandiosidade e ousadia arquitetônica do prédio projetado por Álvaro Siza Vieira. Arrojado demais se comparado com os demais prédios modernos na capital gaúcha, o prédio do museu é por si só uma obra de arte que ofusca as pinturas e gravuras de Iberê Camargo expostas ao longo dos três andares. Observando as pessoas que lá estavam, a maioria delas estava admirando muito mais as linhas audaciosas do prédio do que os carretéis, bicicletas e idiotas pintados por Iberê.

E em relação aos carretéis, bicicletas e idiotas, eu saí deprimido do museu. Iberê usou e abusou de sombras e cores escuras que nos passam a idéia de que ele deve ter sido uma pessoa bastante melancólica e angustiada.

Graças ao apoio da iniciativa privada, não se paga nada para visitar o museu da Fundação Iberê Camargo. Além dos três andares com espaço para exposições, o museu conta com uma lojinha e um bistrô. É uma atração imperdível em Porto Alegre atualmente.

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O Tempo e o Vento



Três pores do sol sobre o Lago Guaíba em Porto Alegre.

O TEMPO E O VENTO (Minissérie)

É muito raro ver na TV brasileira (leia-se Rede Globo) alguma minissérie ambientada no Rio Grande do Sul. Que eu me lembre de imediato, foram três até agora: “O Tempo e o Vento” (1985), “Incidente em Antares” (1994) e “A Casa das Sete Mulheres” (2003).

Estou revendo a minissérie global “O Tempo e o Vento” em DVD, que foi ao ar pela primeira vez no final de abril de 1985, uma semana após o passamento do presidente eleito Tancredo Neves.

O Tempo e o Vento” é nome dado à trilogia escrita pelo escrito gaúcho Érico Veríssimo, inicialmente chamada de “O Vento e o Tempo”, mas com o título invertido por ocasião de sua publicação. “O Continente” (1949), “O Retrato” (1951) e “O Arquipélago” (1962) contam a epopéia do Rio Grande do Sul através da saga das famílias Terra e Cambará.

O elenco da minissérie “O Tempo e o Vento” traz uma mistura de atores gaúchos que brilhavam no cenário local naquele ano, como Marcos Breda, que posteriormente se radicou no Rio de Janeiro, com atores gaúchos que há muito tempo já não moravam mais no Rio Grande do Sul, como José Lewgoy, Paulo José, Lutero Luiz e Lilian Lemmertz.

Entre os atores não gaúchos, há aqueles que têm uma identificação com o Rio Grande do Sul como Tarcísio Meira, casado com a pelotense Glória Menezes, e uma penca de atores sem identificação com o Rio Grande do Sul, como Lélia Abramo, Mário Lago, Diogo Vilela, Carla Camurati, Louise Cardoso e Gloria Pires.

O legal e curioso nessa salada de frutas de astros e estrelas trabalhando numa produção regionalista é a mistura de sotaques. Para alguns foi fácil reproduzir o sotaque gaúcho do interior. Entre esses estão os atores gaúchos e aqueles que se identificam de alguma forma com o Rio Grande do Sul. Outros tentaram, com um pouco mais ou menos de sucesso, como os carioquíssimos Mário Lago e Glória Pires. Vocês já imaginaram o saudoso Mário Lago, carioca da gema e compositor de sambas, tentando se passar por padre gaúcho? Vejam ou revejam a saga de “O Tempo e o Vento” vocês mesmos.

Domingo, Setembro 21, 2008

Semana Farroupilha 2008














Ontem foi 20 de setembro de 2008.

Se a Revolução Farroupilha tivesse tido o êxito pretendido, ontem os gaúchos estariam comemorando a sua data nacional, o seu “feriado de independência”. Há exatos 173 anos, no dia 20 de setembro de 1835, iniciava-se a maior guerra civil registrada em território brasileiro. Ao contrário de que muitos pensam, o 20 de setembro não marca a proclamação de independência da República Rio-Grandense, e sim o início da Guerra dos Farrapos, isso porque a Revolução Farroupilha não tinha caráter separatista em seu primórdio. A independência aconteceria quase um ano depois, em 11/09/1836, proclamada pelo General Antônio de Sousa Neto.

Em Porto Alegre, alguns logradouros homenageiam alguns personagens, datas e nomes importantes daqueles 10 anos de guerra civil: a avenida que liga o aeroporto ao centro da cidade – uma de nossas principais vias – chama-se Avenida Farrapos. O maior e principal parque público da cidade, apelidado de Redenção, tem como nome oficial Parque Farroupilha. 20 de Setembro virou uma rua estreita e sempre congestionada no bairro Azenha. O italiano Giuseppe Garibaldi foi homenageado com uma praça que divide o Menino Deus da Cidade Baixa, hoje tomada de ratos e moradores de rua. O nome de sua amante e esposa teve uma destino menos decadente: a Rua Anita Garibaldi cruza dois dos bairros mais nobres de Porto Alegre, Mont Serrat e Boa Vista. O tributo a Bento Gonçalves veio com uma avenida que liga o bairro Azenha ao fim do bairro Agronomia. Curiosamente, apenas três quadras separam o início da Avenida Bento Gonçalves da Ponte da Azenha onde na noite de 19/09/1835 – há poucas horas do 20 de setembro – os rebeldes farroupilhas trocaram tiros com uma patrulha comandada pelo Major José Egídio Gordilho de Barbuda.

O General Bento Martins virou rua no centro de Porto Alegre. O General Duque de Caxias, pacificador imperialista, acabou cedendo o seu nome a uma das principais ruas da cidade, ironicamente onde está hoje o Palácio Piratini, cujo nome homenageia a capital da então República Rio-Grandense. E há os esquecidos, como o General Neto, proclamador da República Rio-Grandense, que ainda não foi homenageado com logradouro algum.

Na avenida Beira-Rio ontem pela manhã aconteceu o tradicional desfile de 20 de setembro com carros alegóricos, cavalarias e muitas pessoas com trajes típicos cultuando os símbolos do Rio Grande do Sul. Eu fiquei dormindo em casa.

Interessante é que nem sempre tivemos esse desfile de 20 de setembro, tampouco o Acampamento Farroupilha. Isso é coisa de cerca de 10 anos para cá. E hoje tanto o Acampamento Farroupilha quanto o desfile já estão incorporados à cultura gaúcha e ao calendário de eventos de Porto Alegre.

Visitei o Acampamento Farroupilha na terça-feira, dia 16/09 quando tirei as fotos acima.

Eu tenho um sentimento misto sobre todo esse tradicionalismo gaúcho que aflora mais intensamente aqui em Porto Alegre no mês de setembro. Ao mesmo tempo em que eu não me identifico com ele – apesar de eu ser gaúcho – e até discordar de certos posicionamentos retrógrados dos veneradores das tradições gaúchas, eu acho legal e interessante que ele exista.

Tomemos por exemplo os CTGs – assim denominados os Centros de Tradições Gaúchas. Em que outros estados do Brasil existem agremiações meticulosamente organizadas com o objetivo de perpetuar as suas tradições? Eu nunca ouvi falar de um Centro de Tradições Catarinenses, Centro de Tradições Paranaenses, Centro de Tradições Paulistas, Centro de Tradições Fluminenses, Centro de Tradições Mineiras, Centro de Tradições Baianas, Centro de Tradições Pernambucanas etc, por exemplo.

Mas eu já ouvi falar dos Centros de Tradições Nordestinas, presentes no Rio de Janeiro e São Paulo. E é muito provável que eles existam por inspiração e influência dos nossos CTGs.

Os CTGs estão presentes em todo o Brasil e até no exterior. Vi em um telejornal ontem que havia alguns americanos no Acampamento Farroupilha que, mesmo sem falar português, estavam pilchados e dançando nossas danças. Vieram a Porto Alegre especialmente para a comemoração da Semana Farroupilha.

Abaixo, estão três textos extraídos do Dicionário de História do Brasil (EDIPUCRS, 2008, 4ª ed.) de Moacyr Flores. Reproduzo os textos na íntegra. Os erros de redação em português nos textos estão mantidos para que eles se fiquem fiéis a como foram publicados no dicionário.

Um texto é sobre a Revolução Farroupilha, um sobre o vocábulo Farroupilha e o terceiro sobre o termo Farrapo.

REVOLUÇÃO FARROUPILHA (1835-45) – Também chamada de Guerra Civil dos Farrapos, foi o maior movimento armado do Brasil, que até hoje provoca controvérsias entre os historiadores, principalmente o separatismo ou não da República Rio-grandense. Historiadores po­sitivistas apontam diversas causas da Revolução, ­entre eles Antônio da Rocha Almeida, que relaciona: a) um regime fiscal iníquo de impostos excessivos, aplicados fora da província; b) o sistema de recru­tamento adotado; c) a rivalidade entre Liberais e Caramurus; d) o desgosto do soldado gaúcho pelos revezes sofridos pelas armas brasileiras nos campos do sul, por culpa dos comandos escolhidos pelo governo central; e) os desastrados governantes ­nomeados pelo Império; f) o espírito guerreiro do povo, sempre empenhado em ­lutas, desde a primeira ocupa­ção da terra; g) o sentimento republicano, influenciado pelos caudilhos platinos; h) o ideal democrático que dominava no Prata; i) a fundação da Sociedade Militar, pelos restauradores; j) a influência nefasta de Juan Manoel de Rosas, ditador da Argentina. Os seguidores do materialismo histórico apontam a elevação do imposto do charque coma causa do movimen­to realizado pela classe dominante dos charqueadores e latifundiários. Conside­rando que o sistema fiscal, os excessivos impostos, o sistema de recrutamento e as rivalidades entre caramurus e liberais eram os mesmos para todas as províncias; que as lutas pela democracia ainda não existiam nem na Europa, pois as revo­luções até 1848 eram liberais; e que as lu­tas dos rio-grandenses com seus vizinhos eram de conquista territorial, fica difícil concordar com uma influência de Rosas que recém em 1834 tinha assumido o poder, não se podendo aceitar essas cau­sas como determinantes da Revolução. Segundo os jornais da época, desde 1828 tramava-se uma revolução na província e em 1832 foi fundado o Part. Farroupilha pelo ten. José Alpoim, congregando libe­rais exaltados que pretendiam transformar o estado unitário do Brasil em federação, através de uma revolução. Os liberais mo­derados queriam a federação alcançada através das leis. Os farroupilhas, chefiados pelo médico mineiro Marciano Pereira Ribeiro, também pretendiam a república. Reuniam-se na casa do maj. João Manoel de Lima e Silva, onde funcionava um Ga­binete de Leitura que editava o jornal O Continentino, com propaganda repu­blicana. O Gabinete era freqüentado por Manoel Ruedas, Pe. Antônio Caldas, maj. José Mariano de Matos e outros. Os liberais moderados dividiam-se em mo­narquistas, que era a corrente de Bento Gonçalves da Silva, e republicanos. Em 1833, quando Bento Gonçalves viajou ao Rio de Janeiro, acusado de contrabando, entrou em contato com o senador Diogo Antônio Feijó, combinando colocar na administração pública unicamente liberais, para então transformar o Brasil em uma federação. Desde 1831 que fora criada a Guarda Nacional e extintos vários corpos do Exército. A principal força armada era a da Guarda Nacional, que estava sob o comando de políticos regionais. Bento Gonçalves indicou para a presidência Antonio Rodrigues Fernandes Braga, que pertencia ao grupo dos liberais moderados republicanos. Braga tomou posse em 2.5.1834, casou e foi para Rio Grande passar a lua-de-mel, enquanto os far­roupilhas faziam manifestações nas ruas, o que justificou a entrada de Bento Gon­çalves em Porto Alegre para manter a ordem e substituir os funcionários con­servadores por liberais. Mas o chefe de polícia Pedro Rodrigues Fernandes Cha­ves procurou atrair seu irmão Antonio Rodrigues Fernandes Braga para o Partido Conservador. O presidente Braga se de­sentendeu com Bento Gonçalves por causa da nomeação de funcionários. Os liberais passaram a atacar Braga. Nas eleições para a Assembléia Legislativa os libe­rais conseguiram 13 deputados, contra 11 dos conservadores. No dia da abertura, a 20.4.1835, o presidente Braga fez um relatório sobre a situação da província e aludiu a conspiração republicana que pretendia separar a província do Império. Restava aos liberais depor Braga. Na noite de 19.9.1835, uma patrulha comandada pelo maj. Jose Egídio Gordilho de Barbuda trocou tiros com sentinelas dos rebeldes na ponte da Azenha, sobre o Riacho. O maj. Jose Egidio fugiu e entrou no palácio dando o alarme de que estava sendo perseguido por 200 rebeldes. A popu­lação, temendo o saque, abandonou a ci­dade e se refugiou nas ilhas do Guaíba. O presidente Braga foi abandonado, só lhe restando o refúgio na escuna Rio-gran­dense. No dia 20, os rebeldes acamparam em frente dos portões da cidade, es­perando a chegada do cel. Bento Gonçalves da Silva. No fim da tarde o presidente Braga velejou para Rio Grande. Na manhã de 21, chegou Bento Gonçalves e os re­beldes entraram na capital abandonada, parando em frente da Câmara Municipal, onde os vereadores deram posse ao vice­ presidente Marciano Pereira Ribeiro, chefe do Part. Farroupilha, que organizou uma frotilha com os navios do porto e o serviço de policiamento, para evitar o saque. A 21.9.1835, o cel. Farrapo Francisco Xavier do Amaral Sarmento Mena atacou os imperiais de Rio Pardo, chefiados pelo cap. José Joaquim de Andrade Neves e José Ferreira de Azevedo, que capitularam em 8 de outubro. O cel. João da Silva Tavares derrotou junto à capela do Erval, as tropas do uruguaio Rafael Verdum, que estava a serviço da revolução. O novo regente, Pe. Diogo Antônio Feijó, esqueceu seus planos federalistas e preferiu a centralização do poder em suas mãos. Nomeou José de Araújo Ribeiro, primo de Bento Gonçalves, para a presidência da província. Araújo chegou a Rio Grande a 6.11.1835, conferenciando logo após com Bento Gonçalves em Pelotas, para entregar anistia a todos e para que fosse preparada a sua posse em Porto Alegre. Mas na capital, o farrapo Pedro José de Almeida queria jogar peteca com as cabeças dos conservadores, impedindo que Bento Gonçalves cumprisse o combinado com Araújo Ribeiro. A Assembléia provincial, reunida em 9.12.1835 negou-se a dar posse ao novo presidente. Ameaçado de morte, Araújo Ribeiro retomou a Rio Grande e assumiu a presidência da Câmara Municipal, ao mesmo tempo que o cel. Bento Manuel Ribeiro decidiu-se a lutar pela legalidade. Como Araújo Ribeiro recusou a tomar posse em Porto Alegre, por falta de segurança, os deputados farroupilhas declararam sua permanência como ilegal. Em 7.4.1836 Pelotas caiu em poder dos rebeldes que não conseguiram manter a posição, mas aprisionaram o maj. Manuel Marques de Souza e o cel. Albano de Oliveira Bueno, assassinado quando era levado para Porto Alegre. Na noite de 15.6.1836 o ten. Mosye, liderando grupo diminuto, ocupou a cadeia, soltou os presos e com eles tomou as guardas dos muros de Porto Alegre. Ao amanhecer os legalistas tomaram a Capital e Mosye entregou o comando a seus superiores. A 15.6.1836 o brig. Antonio Elzeário de Miranda e Brito chegou com uma força de infantaria e artilharia em Rio Grande, onde recebeu a nomeação para presidente da província. A Assembléia solicitou a per­manência de Araújo Ribeiro e Elzeário foi mandado para Santa Catarina. A 3.7.1836 Bento Gonçalves, partiu de seu acampamento na Lomba de Tarumã, em Viamão, para atacar Porto Alegre. A 20 do mesmo mês novamente os farrapos atacaram e foram repelidos pelo tem.-gen. reformado Francisco das Chagas Santos. O cap.-ten. Guilherme Parker forçou a passagem em Itapuã, levando o presiden­te para Porto Alegre. A 23 de agosto os legalistas, chefiados pelo cel. Francisco Xavier da Cunha, tomaram as posições fortificadas da ilha do Junco e no dia 27, as de Itapuã. A 10.9.1836 o cel. Antonio de Souza Neto derrotou em Seival as tropas imperiais do cel. João da Silva Tavares e no dia seguinte proclamou a República Rio-grandense, separada do Império. Em 6.9.1836 Bento Manuel Ribeiro atacou Bento Gonçalves em Viamão, no local conhecido como Cruz das Almas, sofrendo completa derrota. Avisado da eleição para Presidente da República na cidade de Piratini, Bento Gonçalves abandonou Viamão, rumando para Triunfo, onde pretendia atravessar o caudaloso rio Jacuí, mas foi atraído para a armadilha da ilha do Fanfa, onde ofereceu combate em 4.10.1836, sendo derrotado e preso com os principais chefes da Revolução – Zambeccari, Onofre Pires e Corte Real, todos remetidos para o Rio de Janeiro. Em 6.11.1836 realizaram eleições na Câmara de Piratini, votando seis vereadores, proprietários e oficiais do Exército rebelde. Elegeram Bento Gonçalves como presidente, sendo vice Antônio Paulo da Fontoura, chefe da facção exaltada, que não foi aceito pelos liberais moderados. De comum acordo, escolheram como pre­sidente provisório Jose Gomes de Vasconcelos Jardim. Criaram-se os ministérios, as secretarias, as coletorias, o serviço de correio a cavalo, reorganizaram o Exército, decretaram o confisco de bens do inimigo. A 21.11.1836 a Regência substituiu Araújo Ribeiro pelo brig. Antero José Ferreira de Brito que, ao assumir, demitiu os funcionários indicados por Bento Manuel Ribeiro. Este, indignado, prendeu o novo presidente no passo do Itapevi, passando-se para os farroupilhas. Em 15.5.1837 o gen. Antônio de Sousa Neto atacou Porto Alegre e a 12.8.1837 con­quistou Triunfo. Bento Gonçalves, que fugira do forte de S. Marcelo, na Bahia, retornou ao Rio Grande do Sul. Em 30.4.1838 os republicanos venceram o combate do Barro Vermelho em Rio Pardo, mas cometeram o erro de não continuar a marchar contra a Capital. Em 1839, a República contratou o corsano José Garibaldi e outros italianos para formarem a esquadra republicana, mas o corsário perdeu as presas e os combates. Sem o porto de Rio Grande e com o de Mon­tevidéu fechado, os republicanos busca­ram um novo porto em Laguna, tomado em 23.7.1839, mas o saque de Garibaldi no Imaruí levantou a população catari­nense contra os farroupilhas que, sem apoio e derrotados pelos imperiais em 15.11.1839, retornaram para o sul. Começava o declínio da República Rio-grandense. O dec. de 10.2.1840 convocou a Assembléia Constituinte e Legislativa que, graças às manobras de Bento Gonçalves que não queria perder seus po­deres discricionários, reuniu-se a 1.12.1842. A oposição passou a ser ameaçada, até culminar com a morte do deputado Antonio Paulo da Fontoura. O sistema de guerrilhas e as mudanças constantes de presidentes e dos comandantes das armas prolongaram a luta até que Caxias, as­sumindo ambos os cargos em 9.11.1842, reorganizou o Exército imperial, cha­mando para seu estado-maior Bento Manuel Ribeiro. Comprou cavalhadas para impedir que os farrapos tivessem mon­tarias, distribuiu rações de carne e com­prou tecidos no comércio, dando traba­lho às costureiras para a confecção de uniforme. D. Frutuoso Rivera quis inter­mediar a paz, mas Caxias não o aceitou. Francisco Pedro de Abreu, em 14.11.1844, atacou em Porongos o acampamento dos negros infantes de David Canabarro, desarmados pouco antes do ataque. Antônio Vicente da Fontoura viajou à Corte, entendendo-se com o ministro da Guerra Jerônimo Coelho, para o fim da Revolução. O Império concedia anistia, não querendo assinar um tratado de paz, que reconheceria a existência da República Rio-grandense como nação. A 22.2.1845 Canabarro reunia em Ponche Verde um conselho de guerra dos oficiais a fim de concluírem a guerra civil. Em 28.2.1845 Canabarro e os oficiais farroupilhas as­sinaram uma ata de paz, sem que houvesse assinatura de representante do Império. No outro dia, Caxias lançou proclamação de que a província estava pacificada.

FARROUPILHA – No dicionário de Antônio Moraes e Silva, de 1789, o termo designa pessoa esfarrapada. Carlos Teschauer re­gistra como diminutivo de farrapo. No Rio de Janeiro, em 1831, surgiram os jornais Jurujuba dos Farroupilhas e Matraca dos Farroupilhas, órgãos oficiais da corrente política liberal extremada, que se autodenominava ­de farroupilha. O ten. Luís José Alpoim, deportado do Rio de Janeiro para Porto Alegre por causa das manifestações de rua provocadas pelos farroupilhas, em 1831, por ocasião da abdicação de D. Pedro I, fundou em 1832 o Part. Farroupilha que tinha como programa o regime federalista sob a forma republicana. O grupo se reunia na So­ciedade do Continentino, em casa do maj. João Manoel de Lima e Silva. Em 24.10.1833 os farroupilhas promoveram um levante em Porto Alegre como protesto à instalação da Sociedade Militar, que congregava conservadores monarquistas.

FARRAPO – Nome dado aos liberais exaltados sul-rio-grandenses que pretendiam a federação e depois proclamaram a república em 1836. O mesmo que farroupilha.

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Domingo, Setembro 14, 2008

Largo dos Açorianos







O Largo dos Açorianos com a famosa Ponte de Pedra, o Monumento aos Casais Açorianos, o prédio em forma de tobogã do Centro Administrativo do Estado e os recentes prédios apelidados de “as torres gêmeas” onde funciona o Ministério Público do Rio Grande do Sul. Essas “torres gêmeas” podem ser vistas em um comercial de TV da Chevrolet.

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Protásio Alves com Ramiro Barcelos (vídeo)





Este vídeo de 56 segundos é a minha estréia no YouTube. Nesta semana, eu visitei uma tia que mora na Ramiro Barcelos e fiz esse vídeo da janela do apartamento dela. O vídeo original tem qualidade superior de imagens. No YouTube, o vídeo perde um pouco da qualidade depois de postado.

O vídeo mostra a avenida Protásio Alves no entre os bairros Rio Branco, Bom Fim e Santa Cecília. Depois da Protásio Alves, o vídeo mostra o prédio do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e termina mostrando a rua Ramiro Barcelos.

A propósito, este trecho da Ramiro Barcelos próximo ao Hospital de Clínicas é onde mais ocorrem furtos de veículos em Porto Alegre conforme reportagem do jornal Zero Hora na semana passada.

Esse vídeo foi feito um dia depois de o Rio Grande do Sul ter recebido a visita de um tornado que causou destruição em cidades da região dos vales. Por isso o céu ainda estar bastante nublado.

Vocês podem achar o vídeo feio, mas é a minha primeira contribuição no YouTube. Agora que já sei como fazer, eu vou preparar mais vídeos.

Abaixo, as fotos dos mesmos lugares que aparecem no vídeo.





Terça-feira, Setembro 09, 2008

Central do Brasil - Rio de Janeiro





Voltando a postar algumas fotos do Rio de Janeiro, dedico agora uma postagem com cinco fotos magníficas da Central do Brasil, no centro do Rio, de janeiro deste ano.

A Central do Brasil é uma estação de trens urbanos, na Avenida Presidente Vargas, próxima ao Sambódromo. O prédio segue o estilo art deco dos anos 40, com uma belíssima torre com relógio de quatro faces, tendo sido inaugurado em 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas.

Vargas queria que o Rio tivesse uma estação de trem digna de um país de primeiro mundo.

Como muitos devem saber, a Central do Brasil serviu de locação externa para o filme “Central do Brasil”, de Walter Salles (1998). É nele que a pilantra Dora (Fernanda Montenegro) ganha uns trocados escrevendo cartas para nordestinos analfabetos e que acabam nunca sendo enviadas.

Se você está se perguntando o porquê das tarjas pretas nas fotos, eis o motivo:

Quando eu estava fotografando o interior do prédio, um dos seguranças me abordou com a intenção de impedir que eu tirasse fotos do lugar. Disse-me que eu precisava de uma autorização dos administradores da Central do Brasil. E ele fez toda a sua abordagem com muita educação. Eu é que fiquei com vontade de mandá-lo a puta que pariu. Mas não o fiz, pois quis naquele momento ser tão educado quanto ele foi comigo.

Agora aqui, no meu blog, eu posso soltar o verbo.

Que ele e toda a administração da Central do Brasil vão à puta que pariu!!!

Onde já se viu ter que pedir autorização para tirar fotos de um prédio histórico, tombado pelo patrimônio? E ainda mais numa cidade chamada Rio de Janeiro, que é a Meca do turismo no Brasil! Eu estava lá na condição de turista, não de espião!

É muito lamentável que isso tenha ocorrido!

Como eu fui impedido de mostrar a beleza do interior da Central do Brasil e sou obediente, deixo aqui as fotos com as tarjas.

Fui!

Domingo, Agosto 31, 2008

Atlas National Geographic e Rio Grande do Sul

Eu comprei na semana passada o 13º volume do Atlas da National Geographic, publicado pela Abril Coleções, cujo título do volume é “Brasil em Imagens”.
Sabendo da excelente qualidade das fotos que costumeiramente saem nas publicações da National Geographic, eu estava esperando um dos mais completos registros fotográficos do Brasil num volume de quase 100 páginas.

Engano meu.

O volume, divido em seis seções – “Natureza”, “Cidades”, “Gente”, “Ritos e Festas”, “Samba e Futebol” e “Trabalho” – , traz um generoso registro fotográfico das regiões Norte e Nordeste em detrimento das demais regiões do Brasil. Até parece que o Brasil se resume à Amazônia e praias nordestinas. Outros lugares de grande importância são quase ignorados. E alguns ignorados totalmente.

Minas Gerais, um grande estado da nação e berço político e cultural, só ganhou uma modesta foto de Ouro Preto na página 44.

A região Sul do Brasil, a mais esquecida pelos autores do volume, está representada apenas pelo Rio Grande do Sul em duas fotos: uma de uma plantação de girassóis nas páginas 84 e 85, e outra de uma cavalgada de gaúchos nas páginas 54 e 55.

Não há nenhuma foto dos estados do Paraná e de Santa Catarina.

A minha decepção foi tão grande que eu deixei de comprar o volume 14 (desta semana) e não vou mais adquirir os demais volumes. Muitas omissões de lugares importantíssimos no Brasil por R$ 19,90 (preço do volume). O preço acaba ficando caro por tão pouco em retorno.

Abaixo, algumas fotos do interior do Rio Grande do Sul que eu garimpei na Internet. Não são fotos minhas. Se o autor dessas fotos visitar esse blog, peço que se identifique para receber os devidos créditos de autoria. Essas fotos são lindas, dignas de ilustrar um livro com imagens do Brasil melhor que esse da National Geographic.

















Arroio Dilúvio e Campanha Eleitoral 2008

Ponte da Avenida Praia de Belas cruzando a Avenida Ipiranga sobre o Arroio Dilúvio. A zona sul de Porto Alegre começa aqui, do lado direito do arroio.

CAMPANHA ELEITORAL 2008

Ontem eu parei durante uns vinte minutos para assistir a propaganda eleitoral gratuita na televisão. Não vão pensar que eu sou louco só porque eu voluntariamente assisti os candidatos ao cargo de prefeito e à vereança no horário eleitoral gratuito. Isso é o meu normal em ano de pleito porque eu gosto de ouvir o que os candidatos têm a nos dizer. Podem me chamar de louco, mas eu gosto. O que fazer?

Olha, sinceramente, alguns candidatos despreparados me fizeram sentir como eu seu fosse um ser totalmente desprovido da mínima inteligência.

No vale-tudo para abocanhar uma vaga no legislativo municipal, o primeiro despautério que presenciei foi uma candidata prometer aposentadoria aos trabalhadores informais. Uma outra amostra de subestima à minha lucidez como eleitor foi ouvir outro candidato prometendo devolver aos eleitores motorizados parte do dinheiro gasto com taxas no Detran.

E o supra-sumo do absurdo é ouvir o pensamento retrógrado de uma candidata à prefeitura de Porto Alegre ao defender e prometer o congelamento de preços com aumento de salários.

Primeiro, descrevi a pletora de ataques ao meu discernimento como eleitor vinda de candidatos inaptos ao ofício parlamentar e ao executivo municipal. Agora, vamos às minhas rubricas.

Os assessores desses candidatos despreparados ao cargo de vereador – ou outro alguém qualquer – esqueceu de avisá-los quais devem ser suas competências como parlamentares municipais.

Legislar sobre aposentadoria é matéria de lei federal e, portanto, compete aos deputados federais e senadores da república. E os trabalhadores da economia informal sempre tiveram direito à aposentadoria desde que contribuíssem para a Previdência Social como autônomos. Ou seja, a questão já está regulamentada. O que mais precisa?

Revisar e modificar valores de taxas pagas aos serviços prestados pelo Detran é matéria de lei estadual e compete aos deputados estaduais, nunca aos vereadores. E a devolução de parte do dinheiro já pago é um devaneio. Jamais aconteceu tal coisa no Brasil.

A função de um vereador é fiscalizar o prefeito e propor leis que interessem ao município.

Quanto à candidata à prefeitura, dois pontos a abordar.

Primeiro, esqueceu-se ela que há 22 anos atrás o Brasil passou pela hecatombe do congelamento de preços pelas mãos do então presidente José Ribamar, o “Sarney”. O congelamento de preços imposto pelo Presidente Ribamar não se sustentou sequer no primeiro final de semana subseqüente ao decreto que o instituiu quando os donos de supermercado cerraram suas portas sem o menor constrangimento para um frenético reajuste de preços às escondidas. E o Plano Cruzado começou a ruir quando começou a faltar arroz, açúcar, feijão, leite, carne e demais gêneros alimentícios de primeira necessidade nas prateleiras dos supermercados em todo o país.

O segundo e mais importante ponto é que a candidata pró-congelamento, tal qual alguns candidatos à vereança, está muito mal assessorada e/ou se esqueceu de que não é atribuição de um prefeito congelar preços. E ignora ela que, com preços congelados nos supermercados, não há lucro. E sem lucro, não tem como aumentar o salário dos empregados. Só quem pode impor congelamento de preços é o Presidente da República através de uma Medida Provisória, o que certamente o nosso presidente, estando em pleno gozo de suas faculdades mentais, não irá fazer.

E infelizmente esses candidatos que se acham ladinos e prometem aquilo que não vão poder cumprir ainda vão conseguir angariar os votos de uma considerável parcela desinformada da população. E isso é Brasil.


Retornando a postar fotos e mensagens

Olá, pessoal!

Puxa vida! A postagem anterior a essa foi feita em 20/04/2008. Foram quatro meses sem colocar nada aqui. O motivo foi que eu pretendia colocar bastantes fotos da minha viagem ao Rio de Janeiro no verão. Só que as fotos são muitas e o processo de colocar as fotos no blog estava sendo muito demorado. Aliado a isso, eu retornei ao trabalho e sempre ficava cansado de mais nas horas vagas para colocar aqui as tantas fotos que eu tirei.

Agora, passados esses quatro meses, eu resolvi abortar as postagens das fotos do Rio de Janeiro em seqüência até esgotar todas. Decidi retornar às fotos de Porto Alegre com alguns comentários sobre os lugares mostrados nas fotos ou comentários diversos, mas sempre acompanhados de fotos.

Eventualmente eu vou colocando aos pouquinhos algumas fotos que eu tirei do Rio.

Para reiniciar as minhas postagens de fotos, resolvi colocar essa do Mercado Público de Porto Alegre, tirada em julho deste ano. Fazia muito frio no dia e eu havia ido lá almoçar.

Domingo, Abril 20, 2008

Rio de Janeiro - Feira de São Cristóvão

Por indicação de uma menina em uma lojinha na Praça Tiradentes, eu quis ir até a Feira de São Cristóvão, que é a feira nordestina no Rio, para comer acarajé, comprar a pimenta do acarajé, artesanato nordestino e tomar o guaraná Jesus, do Maranhão.

A feira acontece num local chamado Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, que de longe parece um estádio. O formato é esquisito. Parece ser uma tentativa de reproduzir no concreto e tijolo um chapéu de couro nordestino.

Chegamos lá numa terça-feira de manhã por volta das 11h. Havia catracas na entrada, mas não precisamos pagar para entrar. A entrada era franca. A maioria das lojas estava fechada, o que me surpreendeu por se tratar de um local comercial dentro de uma cidade turística chamada Rio de Janeiro. Fiquei um pouco decepcionado com isso.

Comi o acarajé que eu queria e tomei o tal do guaraná Jesus made in Maranhão. Comprei um pouco de artesanato nordestino, mas sem opção de compra, pois apenas uma lojinha de artesanato estava aberta. E, gente, não era feriado. Era uma terça-feira! E já era depois do meio dia quando consegui comprar as peças de artesanato.







Domingo, Março 30, 2008

Rio de Janeiro - Pão de Açúcar e Enseada de Botafogo

Mais um pouco do Rio trivial. O Morro da Urca e o Pão de Açúcar fotografados num final de manhã cinzenta em janeiro de 2008.
















Rio de Janeiro - Enseada de Botafogo - Arredores

Paisagem urbana ao redor da Enseada de Botafogo.















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Rio de Janeiro - Cena Urbana - Tentativa de Embarcar no Ônibus

Pessoal, acreditem em mim: eu fiquei cerca de 15 minutos olhando para esse ônibus para ver no que iria dar toda aquela gente tentando entrar. Cansei de ver o ônibus ali parado com aquele povo se esmagando para conseguir e embarcar e segui meu caminho. Não sei quanto tempo mais levou para que o ônibus partisse. E o legal é que todo mundo estava aparentemente calmo. Juro que nunca havia visto algo semelhante. Inimaginável aqui no Sul. Essa parada fica junto à Enseada de Botafogo.





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